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O Santander quer ser o melhor da banca em Portugal. Cultura de riscos e controlo de custos são a receita

Pedro Castro e Almeida assumiu o leme do Santander Totta e, na sua primeira conferência, num momento em que os riscos assumidos pela CGD nos últimos anos estão a ser alvo de escrutínio, o novo CEO frisou que uma das razões do sucesso do banco de capitais espanhóis tem sido, precisamente, a cultura de riscos

O Santander Totta – ou apenas Santander, como agora quer ser conhecido comercialmente em Portugal –, quer ser o melhor banco em Portugal. “Inequivocamente”. A meta foi definida pelo novo presidente executivo, Pedro Castro e Almeida, na primeira conferência de imprensa liderou, sentando-se no lugar até aqui ocupado por António Vieira Monteiro. O ADN é para manter, frisou. E, numa altura em que o tema da banca é a auditoria às antigas gestões da Caixa Geral de Depósitos e à tomada excessiva de risco na instituição, Castro e Almeida frisou que a razão do sucesso tem sido a cultura de riscos e o modelo de governo.

Apresentando lucros de exatamente 500 milhões de euros em 2018, o novo CEO – que já estava na comissão executiva desde 2009 – falou numa “boa performance”. Um desempenho que, disse, “se deve ao conjunto de valores que fazem parte” do ADN do banco de capitais espanhóis e que “continuarão a ser decisivos” para um banco que desenhou o objetivo de ser “inequivocamente o melhor banco em Portugal”. Por agora, e como já defendia Vieira Monteiro, é apenas o "maior banco privado em termos de crédito” – o BCP ainda supera nos depósitos.

A cultura de riscos foi a primeira menção de Pedro Castro e Almeida quando elencou os valores do Santander, argumentando que o banco contrariou, com os seus resultados nos últimos anos, quem, no passado, questionou se essa cultura não seria demasiado restritiva. Também há no banco, continuou, “um modelo de governo especialmente exigente, que assenta no princípio da colegialidade de todas as decisões relevantes, com total independência das funções de controlo”. “Tem sido um sustento do banco”.

Palavras deixadas pelo novo CEO quando o assunto central à volta da banca nacional tem sido a auditoria aos atos de gestão da CGD entre 2000 e 2015, cujo escrutínio pela EY aos procedimentos do banco público concluiu que houve decisões da administração que passaram por cima da avaliação de riscos, sem justificações. Contudo, este foi um tema de que Castro e Almeida não quis falar. Como não quis responder à questão dos empréstimos que o Santander também deu, à semelhança da Caixa e de outros bancos do sistema, ao empresário Joe Berardo para a compra de ações do BCP. No segredo ficou também quem foram os compradores das carteiras de crédito malparado, de mil milhões de euros, vendidas no ano passado, e que permitram uma redução do rácio de exposições não produtivas (NPE, na sigla inglesa) de 5,7%, em 2017, para 4%.

Para onde o gestor quis apontar foi para o corte de custos. “Somos considerados um banco frugal”, disse também o novo presidente executivo, referindo-se ao controlo de custos. Um indicador para o qual o banco vai ter de continuar a olhar, já que continua a ter de digerir ainda as estruturas do Banif, cujos ativos foram adquiridos em 2015, e o Popular, integrado no ano passado. Desde logo, há 523 balcões, e a fusão de agências (encerramento de balcões com integração noutras unidades), que já tem sido feita, é para continuar. Do mesmo modo, também o leque de trabalhadores, agora num quadro de 6.492 profissionais, deverá continuar a emagrecer – sempre com o Santander a dizer que nunca teve de recorrer a despedimentos.

Aliás, uma certeza foi deixada por Castro e Almeida na altura de mudança e em que ocupa o lugar de Vieira Monteiro: há uma “linha de continuidade”. “Os estilos são diferentes, mas a linha de continuidade é exatamente a mesma”. Assim foi quando Castro e Almeida repetiu algo que Vieira Monteiro muito disse nos últimos anos. O Santander “nunca recorreu a ajudas públicas”. “Esta solidez permitiu-nos continuar a ser reconhecidos pelas agências de ‘rating’ como o banco mais sólido de todo o país”, declarou.

Uma mudança há, para já: enquanto Vieira Monteiro apresentava os resultados com apenas dois administradores executivos ao lado, Castro e Almeida chamou toda a equipa executiva para a mesa. Ao lado direito mantém-se Manuel Preto, o responsável com o pelouro financeiro. Mas com trabalhos diferentes: se nos últimos anos esteve de preocupar-se com a integração do Banif e do Popular, o futuro agora é com crescimento orgânico, sem compras.