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7 regras para partilhar o emprego com robôs

Rebecca Cook/Reuters

O líder da Manpower, Jonas Prising, acredita que homens e robôs podem ser “os melhores amigos”, mas há regras a cumprir

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

A preocupação com o número de postos de trabalho que os robôs eliminarão no futuro está a desviar a nossa atenção da pergunta central neste debate. “Há cada vez mais robôs a chegar ao mercado de trabalho, mas também há humanos. Como é que ambos podem cooperar?” A questão foi esta semana levantada por Jonas Prising, presidente executivo da multinacional de recrutamento Manpower, durante o encontro anual do Fórum Económico Mundial, em Davos, onde a empresa divulgou o o seu último estudo “Humans Wanted: Robots Need You” (Procuram-se humanos: os robôs precisam de si). Na investigação, a empresa inquiriu 19 mil empregadores, em 44 países, para concluir que as organizações têm um papel fundamental na qualificação da atual força de trabalho e na sua capacitação para trabalhar em conjunto com os robôs.

As estatísticas somam-se e, invariavelmente, traçam cenários pouco favoráveis aos humanos na batalha contra as máquinas pelo emprego. Mas para a Manpower o problema pode estar na forma como analisamos a questão. Isto porque 87% dos líderes inquiridos no estudo agora divulgado não antecipam reduções de postos de trabalho como efeito da automação. Antes pelo contrário, a sua previsão é para que o número de efetivos se mantenha ou aumente para dar resposta ao reforço da tecnologia nas empresas. De resto, “o número de empregadores que têm previstos despedimentos como resultado da automação desceu de 12% para 9% nos últimos três anos”, avança o estudo.

“A tecnologia veio para ficar e é responsabilidade dos líderes e empregadores qualificar as suas pessoas de modo a garantir a sua integração em contextos de trabalhado partilhados com máquinas”, explica o CEO da Manpower reforçando que “este é o grande desafio quando pensamos no emprego do futuro”. Jonas Prising relembra que homens e máquinas não têm de ser inimigos, têm antes de conseguir trabalhar em colaboração. Isto porque “as máquinas continuarão a necessitar de humanos que as desenvolvam”.

O líder da Manpower defende que a confiança na automação está a aumentar e que “os robôs estão a aumentar a produtividade e a provar que são vitais para o crescimento económico” em empresas de todo o mundo. As competências são essenciais para que os profissionais possam acompanhar esta mudança, mas há outros fatores determinantes para garantir que homens e máquinas partilham o emprego num clima de paz. Jonas Prising fala em sete regras para a cooperação pacífica.

1 A liderança importa

Os líderes empresariais devem ser catalisadores da mudança, inovação e cultura empresarial. Esta é a única forma de garantir que as empresas se tornam organizações ágeis a aprender e a acumular todo conhecimento, em contextos tecnológicos de rápida mudança e onde a reciclagem de competências é permanentemente necessária.

2 Garanta que as mulheres são parte da solução

As mulheres representam mais de 50% da força de trabalho global e em 2017 superaram os homens nos níveis de qualificação, diz um estudo do Institute for Family Studies. Criar uma cultura empresarial de igualdade que garanta às mulheres a progressão na carreira em níveis idênticos aos masculinos é crítico para o futuro e a única forma de garantir que as mulheres não serão mais penalizadas do que os homens pelos efeitos da automação..

3 Compreenda 
o que procuram 
os seus trabalhadores

Nos próximos seis anos, os millennials e profissionais da geração Z representarão mais de dois terços da força de trabalho global. As empresas têm de saber acolhê-los, acomodando as suas expectativas de carreira e de conciliação com a vida pessoal. 87% dos profissionais da nova geração, concluem os vários estudos da Manpower, procuram regimes de trabalho mais flexíveis. Este tipo de contratos deve ser contemplado.

4 Conheça 
as capacidades
das suas pessoas

As empresas precisam de ter acesso a dados fidedignos e ferramentas de análise preditiva para gerir e integrar talento de forma eficaz, retirando de cada contratação o seu máximo potencial e evitando fossos de competências que sejam críticas ao negócio. Isto é ainda mais vital em contextos de cooperação laboral entre homens e máquinas.

5 Personalize a formação. 
É determinante

As organizações devem substituir os seus modelos de formação genéricos por ações personalizadas, direcionadas para desenvolver não só as competências críticas que são vitais ao negócio naquele momento, mas também antecipar as que possam vir a ser necessárias no futuro. Esta é a única forma que os líderes têm de mostrar aos profissionais que estão preocupados com o seu desenvolvimento e que a sua substituição por uma máquina não é opção

6 Desenvolva competências emocionais

As competências emocionais são mais difíceis de desenvolver do que as técnicas e também são o que diferencia os homens das máquinas. As empresas devem apostar no desenvolvimento destas competências e centrar nelas a sua estratégia de identificação de talento. Profissionais com as competências emocionais certas farão toda a diferença no cenário dominado pela tecnologia.

7 Capacite os humanos 
para desenvolver 
a tecnologia

Este é o segredo do emprego no futuro: preparar os humanos para desenvolverem as máquinas. E isto consegue-se qualificando-os em permanência para estarem “à frente do seu tempo”. Por outras palavras, consegue-se criando talento. “As empresas têm de poder garantir que o seu talento humano complementa a automação”, defende Jonas Prising.