Automação

Robôs destroem 440 mil empregos na indústria e comércio até 2030

17 janeiro 2019 10:01

A automação poderá eliminar 1,1 milhões de empregos em Portugal nos próximos 11 anos, 40% dos quais na áreas da indústria transformadora e do comércio, revela estudo da CIP que será hoje divulgado

17 janeiro 2019 10:01

Até 2030, Portugal poderá perder 1,1 milhões postos de trabalho como resultado direto da automação, maioritariamente em áreas como a indústria transformadora e o comércio que concentrarão 40% das perdas, num total estimado de 440 mil empregos afetados. Esta eliminação de postos de trabalho poderá ser compensada pela criação de entre 600 mil a 1,1 milhões de novos empregos em sectores como a saúde, assistência social, ciência, profissões técnicas e construção. Os dados constam de um estudo da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), realizado em parceria com o McKinsey Global Institute e a Nova School of Business and Economics que será divulgado esta manhã durante a conferência “O Futuro do Trabalho em Portugal” que decorre no Museu da Eletricidade.

Os cálculos apresentados têm por base um cenário em que 26% do tempo trabalhado atualmente nas empresas portuguesas será automatizado. Mas segundo o estudo, “50% do tempo despendido nas atuais atividades laborais poderia ser automatizado com as tecnologias hoje existentes, o que representa um elevado potencial de automação de Portugal, quando comparado com outros países”. O relatório acrescenta que em onze anos essa percentagem poderá chegar aos 67% do tempo de trabalho em 2030. Mas nesse cenário, a taxa de adoção da tecnologia será mais baixa seja por questões de viabilidade técnica, custo de desenvolvimento tecnológico, custo do trabalho ou até por questões regulatórias e sociais.

O estudo compara o potencial de automação nacional com sete outras geografias (Japão, China, Itália, Espanha, Estados Unidos, França e Noruega) e Portugal só é superado pelo do Japão, onde 53% do tempo despendido em atividades laborais poderá ser substituído por soluções tecnológicas existentes. Esta maior exposição nacional aos riscos de automação é justificada com o peso da indústria transformadora na economia nacional (16% do emprego total) e das tarefas repetitivas que ainda são desempenhadas, manualmente, em diversos sectores de atividade.

No total, 75% dos empregos eliminados pela automação em Portugal estarão relacionados com tarefas altamente repetitivas, como a operação de maquinaria, tarefas administrativas e todas as que representem interação com o cliente.

Automação total é residual

Apesar deste cenário, poucas funções terão um potencial de automação total. As estimativas dos autores do estudo apontam para que apenas 2% das profissões em Portugal possam ser 100% substituídas pela tecnologia. Entre elas estão operadores têxteis, nomeadamente costureiras, e operadores de linhas de montagem. Ainda assim, cerca de 60% dos profissionais poderão ver 30% das suas tarefas automatizadas. Condutores de autocarros, assistentes de enfermagem, agentes de viagens e assistentes de armazém estarão entre os mais afetados.

As funções repetitivas e com elevado potencial de automação (onde mais de 70% do tempo de trabalho gasto em cada atividade poderia ser realizado por máquinas) consomem inúmeras horas de trabalho e em Portugal representam 52% do tempo de trabalho nacional. O relatório defende que 75% do tempo gasto a desenvolver atividades braçais/físicas poderia ser automatizado. Da mesma maneira que 70% do tempo gasto em atividades relacionadas com a recolha de dados – como as desempenhadas por contabilistas e assistentes jurídicos – pode ser assegurado pela tecnologia. As atividades relacionadas com a gestão são as menos ameaçadas pela automação. Só 9% das horas de trabalho poderiam ser asseguradas pela tecnologia, pela especificidade e competências emocionais de relacionamento interpessoal que a automação ainda não consegue assegurar.

37,5% dos trabalhadores terão voltar à escola

No cenário avançado pelo relatório, 37,5% da população empregada (1,8 milhões de trabalhadores) necessitarão de melhorar as suas competências até 2030 ou mudar de emprego. O que, reconhece o estudo, “coloca desafios significativos que exigirão um papel ativo do Governo e do sector privado no processo de reconversão da força de trabalho”. O documento sugere que para que o país possa minimizar os desafios decorrentes desta transição e aproveitas as oportunidades que a transformação digital da sociedade apresenta, “impõe-se uma avaliação de novas políticas públicas e um eficaz plano de requalificação da sociedade, num esforço conjunto entre sector público, empresas e instituições de educação e formação”.

E estes desafios não são idênticos em todos os sectores. Indústria, comércio, transportes, funções administrativas e de públicas e agricultura. Estão entre os sectores onde o impacto da automação na destruição de emprego mais se fará sentir.

Na análise comparativa com os restantes países considerados no estudo, seja num cenário de substituição de 26% ou de 67% do tempo trabalhado por tecnologia, o nível de destruição de emprego perspetivado para Portugal é maior do que noutras economias. Os salários são o que mais influencia esta diferença. Maiores salários tornam a automação mais atrativa para as empresas.

O estudo que analisa o impacto da automação na evolução do emprego em Portugal, avaliou 800 ocupações e cerca de duas mil tarefas desempenhadas em diversos sectores. Foram identificadas ainda as 18 competências de base necessárias ao desempenho de qualquer posição e qual a capacidade de automação de cada uma.