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Mercados viram para o vermelho, sem detalhes sobre futuro da guerra comercial

Sem detalhes concretos sobre o balanço da primeira ronda de negociações em Pequim entre EUA e China sobre a guerra aduaneira, as bolsas na Ásia fecharam esta quinta-feira no vermelho e a mesma tendência regista-se na abertura na Europa

Os mercados de ações na Ásia fecharam esta quinta-feira no vermelho, com a bolsa de Tóquio, a mais importante da região, a registar quedas de 1,3%. Na Europa, a abertura foi, também, em terreno negativo, com Paris a liderar as perdas. Em Lisboa, o PSI 20 segue a tendência europeia de quedas, e abre a perder 0,25%. Os futuros em Wall Street estão também no vermelho, indiciando uma abertura no negativo das bolsas de Nova Iorque.

A ausência de detalhes concretos sobre o balanço da primeira ronda de negociações em Pequim entre os Estados Unidos e a China àcerca da guerra comercial que travam desde o verão passado, deixou os mercados financeiros minados pela incerteza.

A Ásia, que foi a primeira região a fechar, reagiu negativamente, invertendo a trajetória de ganhos que registava há cinco sessões consecutivas. O índice MSCI para a região estava a ganhar 3% este mês, mas caiu esta quinta-feira. Tóquio liderou as perdas, com o índice Nikkei 225 a recuar 1,3%. As duas bolsas chinesas fecharam com perdas mais ligeiras, de 0,3%. Apenas Hong Kong e Sydney fecharam com ganhos.

O preço do barril de petróleo de Brent (a variedade europeia) mantém-se acima de 60 dólares na abertura desta quinta-feira, impulsionado pela perspetiva de que o novo cartel de facto da OPEP+ (liderado pela Arábia Saudita e a Rússia) procederá ao corte da produção. Na quarta-feira fechou em 61,36 dólares, o preço mais alto desde meados de dezembro. O atual ciclo de preços do Brent atingiu um pico no começo de outubro acima de 86 dólares e registou um mínimo de 50,47 na véspera de Natal.

Negociações vão prosseguir em Washington

A primeira ronda de negociações entre os EUA e a China, no quadro da trégua na guerra comercial até 1 de março, terminaram na quarta-feira na capital chinesa, depois de três dias de negociações entre as duas delegações chefiadas por Wang Shouwen, vice-ministro do Comércio da China, e Jeffrey Gerrish, adjunto do Representante para o Comércio da Casa Branca Robert Lighthizer.

A próxima ronda deverá realizar-se em Washington com a presença do vice-primeiro-ministro chinês Liu He, que é esperado até final deste mês na capital norte-americana.

As duas partes foram, até agora, parcas em declarações. O Ministério do Comércio chinês declarou esta quinta-feira que as discussões foram "extensivas, profundas e detalhadas" e que criaram uma base para a resolução "das preocupações de ambas as partes".

A parte norte-americana, por seu lado, emitiu ontem um comunicado a partir do gabinete do Representante para o Comércio apontando para a necessidade de criação de um mecanismo de verificação da implementação e de cumprimento efetivo do acordo que vier a ser assinado.

Adiantou, ainda, que, na agenda, estiveram as exigências de Washington no sentido de "reformas estruturais" em relação aos pontos mais polémicos da guerra tecnológica em curso, em torno da proteção da propriedade industrial, da transferência forçada de tecnologia e do roubo de segredos comerciais. Também a exigência dos EUA para uma diminuição do défice comercial que tem com a China esteve presente na agenda, nomeadamente na área agrícola, energética e industrial, com Washington a reclamar "uma compra substancial" por parte da China nesses produtos.

  • As bolsas da Ásia Pacífico fecharam esta quarta-feira pela quinta sessão em terreno positivo. Praças europeias seguem tendência de ganhos. Negociações em Pequim entre delegações dos EUA e China terminaram, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês. Trump deu sinal otimista na terça-feira