Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Exportações têxteis crescem, mas....

D.R.

Sector continua a acreditar num recorde, mas novembro foi negativo e "2019 vai ser um ano de muita gestão"

As exportações da indústria têxtil e do vestuário (ITV) fecharam novembro com uma subida homóloga de 1,8%, nos 4,9 mil milhões de euros. É o suficiente para a fileira continuar a acreditar num recorde, no final do ano, mas também para fazer soar uma campainha de alerta: revela um abrandamento de vendas, encomendas e produção.

“Em outubro, tínhamos uma subida de 2,4%, por isso temos de olhar para novembro com atenção e reconhecer que foi um mês de saldo negativo”, diz ao Expresso Paulo Melo, presidente da Somelos e da ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal à margem da Heimtextil, em Frankfurt, na Alemanha, a maior feira de têxteis lar do mundo.

Para o saldo negativo de novembro pesou de forma especial a descida das encomendas de Espanha e do grupo Inditex, o maior cliente dos têxteis nacionais. Em 11 meses, o mercado espanhol com uma quota de 32% nas vendas ao exterior, caiu 4%, para os 1,6 mil milhões de euros. E no grupo dos 4 maiores clientes de Portugal só França, no segundo lugar, com uma fatia de 12%, cresceu (1%). Alemanha e Reino Unido, com quotas de 8%, correspondentes a compras na ordem dos 400 milhões de euros, perderam 1%.

Em sentido contrário, as boas notícias continuam a vir de Itália, com um salto de 35%, para os 303 milhões de euros, a que corresponde o quinto lugar no ranking das exportações têxteis lusas.

A explicar este desempenho estão fatores vários, do clima à conjuntura internacional. “A incerteza à volta de questões como o Brexit ou as relações comerciais EUA-China é grande e tem impacto direto no ambiente económico, no consumo e em indústrias como a têxtil”, explica Paulo Melo. Mas a desvalorização da moeda turca também está a penalizar as exportações. “Eles ficaram muito mais competitivos”, diz Paulo Melo.

Quanto ao caminho a seguir, o empresário e dirigente associativo não tem dúvidas de que as apostas continuarão a ter de ser feitas num único sentido, combinando fatores vários como inovação, valor acrescentado, novos mercados, qualidade, rapidez na resposta, flexibilidade e serviço ao cliente.

Assim, 2019 começa de forma cautelosa. “Vai ser um ano de muita gestão para as empresas. Não me parece que vá ser um ano de crescimento, mas tem de ser um ano de muita atenção. Não nos podemos dar ao luxo de perder oportunidades”, diz.

Entre os empresários presentes na Heimtextil, a maior feira de têxteis lar do mundo, o ambiente já é de alguma preocupação. “Temos de esperar para ver”, mas esta “tudo em suspenso”, à “espera de alguma coisa”, vão dizendo ao Expresso em todos os stands. Para 2019, mais do que crescimento, as palavras de ordem são diversificar, consolidar, estabilizar.

Mas Portugal, o maior produtor europeu de têxteis lar, em especial nos segmentos de roupa de cama e banho, tem tido, nesta área de atividade um desempenho acima da média da fileira, fechando novembro com uma subida de 4,9% nos têxteis lar (687 milhões de euros), enquanto o vestuário cresceu 1,2% (3 mil milhões) e os têxteis ganharam 1,4% (1,3 mil milhões).

Na Heimtextil, a representação lusa reuniu 82 empresas e precisamente 50% vem de Guimarães, que está presente em Frankfurt com 41 empresas que juntas somam um volume de negócios superior a 250 milhões de euros.