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Exportações desabam em novembro por causa da Autoeuropa

A Autoeuropa é uma das empresas de capital alemão mais reconhecida em Portugal

Paulo Vaz Henriques

Menos automóveis exportados explicam a evolução desfavorável das exportações, que caíram 8,7% em novembro. INE aponta o dedo à greve no Porto de Setúbal. As importações subiram 11%

As exportações desabaram em novembro, registando uma queda de 8,7%, segundo os dados revelados esta quarta-feira pelo pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). A culpa é dos automóveis e da Autoeuropa, na sequência da greve dos estivadores do Porto de Setúbal. E as importações aumentaram 11,5%, ampliando o défice da balança comercial.

A evolução de novembro compara com uma taxa homóloga em outubro de 5,3%, que revelava um dinamismo das exportações que novembro não confirmou.

Segundo o INE, a redução das exportações de material de transporte, maioritariamente de Automóveis para transporte de passageiros, em 29,4% (o contributo é de -5,9 pontos percentuais na taxa de variação) foi a principal causa da evolução desfavorável.

Explicação? Esta evolução "estará associado à greve dos estivadores no porto de Setúbal", escreve o INE. Uma greve que levou milhares de veículos produzidos na fábrica de Palmela do grupo Volkswagen a ficarem bloqueados em Portugal, sem conseguirem ser escoados para fora do país.

Pior desempenho em 26 meses

No conjunto do trimestre terminado em novembro, as exportações registaram uma diminuição (-1,0%) pela primeira vez nos últimos 26 meses. Já as importações aumentaram 5,8%, face ao mesmo período de 2017.

As importações em novembro aumentaram 11,5% (+5,4% em outubro), com as importações de material de transporte a registarem um acréscimo de 21,3% (contributo de +3,4%), em resultado fundamentalmente da aquisição de aviões.

"Excluindo os combustíveis e lubrificantes, as exportações diminuíram 8,2% e as importações cresceram 11,7% ( mais 8,0% ns dois casos em outubro de 2018)", diz o INE.

Défice aumenta

Em novembro, o défice da balança comercial de bens somou 2 066 milhões de euros, um agravamento de 1 157 milhões face ao mesmo mês de 2017.

Excluindo os combustíveis e lubrificantes, o saldo negativo da balança foi de 1 521 milhões de euros (1 036 milhões em novembro de 2017).

No trimestre terminado em novembro, as exportações de bens diminuíram 1,0% e as importações de bens aumentaram 5,8% face ao mesmo período de 2017.

Comparando com outubro, o INE diz que as exportações diminuíram 7,4% e as importações cresceram 1,0%.

Itália escapa

Todos os principais clientes de Portugal, com exceção de Itália (+1,5%), registaram decréscimos face a novembro de 2017, evidenciando-se a Alemanha (-21,6%) e a França (-12,2%). Nos dois casos, por causa dos automóveis.

Em relação aos principais fornecedores, os aumentos mais expressivos em termos homólogos registaram-se nas importações provenientes de França e Alemanha (+37,2% e +10,2%, respetivamente). A explicação está na importação de automóveis. As importações da Rússia registaram o único decréscimo

Na última projeção, o Banco de Portugal antecipou para 2019 um crescimento das exportações de 3,6% e das importações de 4,1%

Em 2017, as exportações de bens somaram 55 mil milhões (mais 10%). Como as importações foram de 69,4 mil milhões (mais 13%), a balança comercial registou um défice de 14, 4 mil milhões.