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Calçado só bate meio recorde na exportação

Frederico Martins

Depois de uma série de sete anos consecutivos de recordes, a indústria portuguesa de calçado fecha 2017 com uma quebra de 2,85% nas vendas (em valor). Desta vez, o sector só cresceu no número de pares de sapatos vendidos ao exterior

Ainda não foi desta vez que a indústria portuguesa de calçado superou a meta de passar a barreira dos dois mil milhões de euros nas exportações. Em 2018, o sector interrompeu um ciclo de sete anos consecutivos de recordes na exportação e viu as vendas ao exterior caírem 2,85%, para 1,904 mil milhões de euros, indica o Gabinete de Estudos da APICCAPS - Associação dos Industriais de Calçado.

Em número de pares, o sector registou um crescimento de 2,4% nas exportações, somando 85 milhões, uma performance que significa, na prática, que as empresas venderam mais mas faturaram menos ou, de outra forma, que o preço médio por par está a descer.

Em comunicado, a APICCAPS explica que "o abrandamento das principais economias mundiais para onde a indústria portuguesa de calçado exporta mais de 95% da sua produção, terá afetado e contribuído para este desempenho final". Da guerra comercial entre os EUA / China, ao Brexit, ao abrandamento da economia europeia ou à crise em alguns mercados emergentes, são vários os fatores que interromperam a espiral de crescimento dos sapatos portugueses este ano, assume a APICCAPS.

Entre os industriais do sector há, também, a convicção de que os resultados finais de 2018 refletem um reposicionamento da oferta lusa, dominada pelos sapatos em pele (mais caros), mas cada vez mais apostada em alargar a gama a materiais sintéticos, indo de encontro a novas tendências de mercado, designadamente no que se refere a calçado desportivo. Neste segmento, aliás, as exportações terão crescido cerca de 5%.

Comparar com Itália e Espanha

E como estão a correr as coisas aos dois maiores concorrentes europeus da indústria portuguesa de calçado em 2018? Até agosto, as exportações italianas de sapatos recuaram 3,1% em volume (143,6 milhões de pares), mas subiram 3,7% em valor (6,5 mil milhões de euros). Já Espanha, registou descidas de 3,6% em volume (122,7 milhões de pares) e de 1% em valor (2.018 milhões de euros).

Mesmo assim, a APICCAPS mantem-se fiel à estratégia de ver sempre o copo meio cheio e, traçando um ciclo mais longo, de 8 anos, sublinha que desde 2010 a produção portuguesa de calçado aumentou 34%, uma percentagem que compara com a subida de 7% em Espanha e a descida de 6% em Itália.

Na frente exportadora, Itália somou um crescimento de 19% (para 10 mil millhões de dólares ou 8,74 mil milhões de euros ao cambio atual), enquanto Portugal cresceu 23%, para os 2,2 mil milhões de dólares (1,92 mil milhões de euros).

Citando dados do World Footwear Yearbook, a APICCAPS refere, ainda, que no mesmo período as importações de sapatos em Espanha aumentaram 21%, para 300 milhões de pares e 3,4 milhões de dólares (2,97 milhões de euros) e em Itália subiram 6%, para 341 milhões de pares no valor de 5,2 mil milhões de dólares (4,54 mil milhões de euros). Já Portugal, importou 58 milhões de pares no valor de 703 milhões de dólares (614 milhões de euros), o que representa um crescimento de 14%.

Preparar 2019

Para 2019, a direção da APICCAPS, liderada pelo empresário Luís Onofre, espera "um ano de afirmação do calçado português nos mercados externos", com o investimento de mais de 18 milhões de euros em atividades promocionais, apoiadas pelo programa Compete 2020.

Ao todo, está prevista a presença dos sapatos portugueses em eventos internacionais em mais de 15 mercados. A ofensiva externa vai envolver 200 empresas do sector e assume como objetivos principais o aumento das vendas, a diversificação de geografias e do número de empresas exportadoras.

Para estes eventos, a APICCAPS orçamentou 16 milhões de euros, a que soma mais dois milhões de euros destinados à promoção das marcas nacionais, desde a conceção ao registo de patentes, investimento em publicidade e assessoria de comunicação, sem esquecer o marketing digital.

A meta, diz a direção da associação, " é promover o upgrade de imagem das marcas do setor e fomentar uma imagem de excelências das empresas e dos seus produtos". Se tudo correr bem, o sector poderá voltar aos recordes já em 2019.