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Alojamento local dá o salto para os hotéis

“Portugal tem evoluído muito na qualidade do alojamento local”, frisa Ricardo Amantes

TIAGO MIRANDA

Marca Lisbon Best Apartments avança com um hotel de cinco estrelas no Chiado onde prevê investir cerca de €20 milhões

Reabilitar prédios devolutos ou em ruínas no centro histórico de Lisboa com vista à sua exploração como alojamento local é a aposta da Lisbon Best Apartments (LBA), que já detém seis edifícios totalizando 54 apartamentos, com preços nunca abaixo dos três dígitos e onde os hóspedes contam até com serviço de mordomo. A marca de alojamento local que nasceu há cinco anos como nova área de negócio da promotora imobiliária Coporgest está agora a avançar com um hotel de cinco estrelas no Chiado, cuja obra arrancou há uma semana e deverá estar concluída em finais de 2020.

“Começámos com alojamento local e nesta fase queremos dar o passo para a hotelaria. No nosso grupo não acreditamos em impossíveis”, salienta Ricardo Amantes, diretor comercial e de investimentos da Coporgest, também responsável pela operação da Lisbon Best Apartments, referindo tratar-se de um caso inédito neste sector.

A oferta da Lisbon Best Apartments está sobretudo no Chiado

A oferta da Lisbon Best Apartments está sobretudo no Chiado

d.r.

“Não tenho conhecimento de outros grupos de alojamento local a entrar nos hotéis, o contrário é que é mais comum”, refere o responsável, frisando que “Portugal tem evoluído muito na qualidade do alojamento local, o que começou por ser um negócio familiar está a dar lugar a marcas e cadeias que se posicionam neste sector de forma profissional”.

O novo hotel que vai abrir no Chiado resulta de dois edifícios adquiridos pela Coporgest no Largo Bordalo Pinheiro, que estavam anteriormente ocupados por escritórios e vão ficar unificados. Vai chamar-se Lisbon Chiado Hotel, terá 45 quartos, dos quais 13 são suítes, e segundo Ricardo Amantes o investimento total previsto irá rondar €20 milhões. À semelhança dos projetos interiores, só serão mantidas as fachadas dos edifícios, sendo todo o interior demolido e construído de raiz.

“Competimos sempre pela qualidade e não pelo preço. Na Booking estamos no top 5 dos alojamentos mais caros de Lisboa”

“Esta localização no Chiado é excelente, não há muitos hotéis de cinco estrelas no centro histórico de Lisboa e o nosso grande concorrente vai ser o Bairro Alto Hotel”, faz notar o diretor de investimentos da Coporgest. “Vamos ser fiéis à marca e ter um serviço premium. A nossa aposta vai a ser a de competir pela qualidade e não pelo preço.”

Esta aposta já marca a operação de alojamento local na Lisbon Best Apartments. Em 2018 as diárias médias rondaram os €200, com os preços a oscilar entre €100 e €340 consoante as épocas e a tipologia dos apartamentos (que vão de um a três quartos), e atingindo mesmo os €400 em alturas de maior pico.

“Sempre fomos das unidades mais caras de Lisboa porque apostamos no serviço e posicionamo-nos no segmento de topo”, frisa Ricardo Amantes. “Na Booking estamos no top 5 dos alojamentos mais caros. Mas em compensação nos comentários dos clientes temos 9.6 pontos numa classificação até 10”.

NOVA LEI FOI “UM TRAVÃO”

A Lisbon Best Apartments surgiu como “uma aposta estratégica na área do turismo” da Coporgest, promotora imobiliária dedicada a projetos residenciais premium em localizações privilegiadas de Lisboa. Tirando partido das competências da empresa-mãe na reabilitação de edifícios, a LBA estreou-se no alojamento local em 2014 com a abertura de duas unidades, nas zonas do Chiado e de São Bento (o Chiado Trindade Apartments e o São Bento Best Apartments). A estas, vieram somar-se mais quatro unidades, localizadas maioritariamente no Chiado (Chiado Camões Apartments, Chiado Mercy Apartments e Chiado Square Apartments), tendo a última aberto em setembro de 2018 na Avenida Duque de Loulé (Marquês Best Apartments) e integrada no condomínio Sottomayor Residences que pertence à Coporgest.

Os 54 apartamentos de alojamento local da LBA geraram em 2018 um volume de negócios de €2,8 milhões, que subiu 26% face ao ano anterior. Na média anual tiveram uma ocupação de 70% (sobretudo com espanhóis, brasileiros e franceses, destacando-se canadianos ou russos como mercados em forte crescimento) e na passagem do ano só ficaram seis apartamentos por ocupar.

A LBA não tem de momento em carteira mais projetos de alojamento local, até devido à suspensão da atividade nas zonas históricas de Lisboa. A nova lei do alojamento local “é acima de tudo um travão ao crescimento, e a nossa expectativa é que a câmara faça rapidamente um regulamento para ficar tudo clarificado, pois o mercado continua em fase boa”, considera Ricardo Amantes. “O nosso grande projeto em 2019 vai ser o Lisbon Chiado Hotel, e acreditamos que no futuro vai haver oportunidades de crescer com a aquisição de hotéis”.