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Portugal é campeão da Europa na cama e na mesa 

Rui Duarte Silva

Nos têxteis-lar, o Made in Portugal soma recordes na exportação. A nova oferta do sector apresenta-se ao mundo, na Alemanha, sob o mote da sustentabilidade

Nos têxteis-lar, poucos batem o made in Portugal, em especial, nos felpos e nos lençóis, que representam 60% das exportações deste sub-sector da fileira têxtil, pronto a apresentar-se na Heimtextil, a maior feira do mundo da especialidade, como campeão da Europa na cama, na mesa e não só.

“Nos têxteis-lar somos os maiores produtores da Europa, de acordo com uma tendência que começou a definir-se já no século XXI e se acentuou a partir de 2010”, diz ao Expresso Ribeiro Fontes, secretário-geral da ANIT-LAR - Associação Nacional das Indústrias de Têxteis- Lar

Em 2017, este sub-sector atingiu um valor recorde de 713 milhões de euros nas vendas ao exterior. Este ano, prepara-se para bater mais um recorde, depois de fechar outubro nos 634,8 milhões de euros, com crescimentos em todos os items, da roupa de cama e mesa aos atoalhados, tapeçarias ou artigos de decoração. “Entre mais de 180 países, somos o 5º maior fornecedor de felpos do mundo. Somos 6º nos lençóis, 8º nas colchas, 10º no segmento mesa, 15º nos cobertores e mantas”, sublinha Ribeiro Fontes.

Mais: as estatísticas mostram que entre janeiro e outubro, este segmento de negócio cresceu 4,9% face ao ano passado. Foi mais do que o vestuário (1,6%) ou os outros domínios têxteis (3,2%).

Para este desempenho, contribuem 15 mil trabalhadores concentrados numa centena de empresas no Vale do Ave, mas também em polos de produção mais pequenos, como em Cortegaça ou Viseu. E muitas destas empresas (80) participam de 8 a 11 de janeiro na Heimtextil, a maior feira de têxteis-lar do mundo, na cidade alemã de Frankfurt, para mostrarem o que andam a fazer e apresentarem algumas inovações, mas também para conquistarem novos clientes.

Habituados ao destaque da zona premium do certame, os empresários portugueses foram este ano obrigados a escolher entre um posicionamento de marca ou a produção para terceiros, em private label. “Muitos podiam jogar em qualquer um dos lados, mas a maioria optou pelo private label”, adianta Manuel Serrão, administrador executivo da Selectiva Moda, associação vocacionada para a internacionalização dos têxteis nacionais.

Todos mantêm, no entanto, o foco na diferenciação que este ano tem um dos seus pilares na sustentabilidade, das lãs recicladas da A. Ferreira & Filhos, ao fio revestido a cortiça do projeto Cork-a-Tex da Têxteis Penedo, aos artigos de cama orgânicos da Piubelle ou aos lençois com fios de fibra de rosa biodegradável da Homeflavours.

A confirmar o bom momento do sector, há empresas a anunciar investimentos, como a A. F. Almeida, com novas máquinas de costura prontas a entrar em laboração este mês, o que significa o aumento da capacidade instalada para 1.100 toalhas/hora.

Investir e Inovar

Num certame que espera mais de 60 mil visitantes entre compradores, designers e empresários de todo o mundo, todos querem, também, aproveitar a oportunidade para conquistar novos clientes e mercados e abrir ainda mais portas aos seus negócios, da Ásia à América. E os secretários de estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e da Economia, João Correia Neves, também vão passar por lá, para tomar o pulso ao sector.

Há preocupações no horizonte, designadamente com o Brexit e a cotação da libra, até porque o sector “está já a sentir uma retração nas vendas para o Reino Unido desde o ano passado”, admite Ribeiro Fontes, mas há otimismo noutras geografias como Espanha e Estados Unidos, a rivalizarem pelo primeiro lugar no top das exportações.

“Temos os EUA a evoluírem favoravelmente, em especial no segmento da roupa de cama, e já começamos a sentir os efeitos favoráveis do acordo da União Europeia com o Canadá, que significou o fim de taxas aduaneiras de 17%. E Espanha, até outubro, também está a comprar mais do que no ano passado”, acrescenta o responsável da Anit-lar.

No mundo dos têxteis, os maiores do mundo jogam, neste momento, a Oriente, entre a Índia, a China e o Paquistão, mas também é preciso considerar a Turquia e Portugal que responde sozinho por cerca de 1/3 das têxteis-lar da EU, alinhando com um grupo de empresas de referência do sector à escala global, como a Mundotêxtil, Lameirinho, J.F. Almeida, Felpinta, Lasa ou Lusotufo.