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É uma das maiores têxteis nacionais e está a contratar

Fernando Veludo

A Têxtil Manuel Gonçalves está a mudar e, para isso, veste um novo modelo de negócio: já não é um grupo vertical, mas tem uma área nova de confeção, com trabalhadores que vieram da Delcon, do grupo Ricon

Aos 81 anos, a Têxtil Manuel Gonçalves escolheu uma nova estratégia de negócio. Pôs de lado a estrutura vertical e a fiação e abriu as suas portas à confeção. Para isso, a empresa criou a MG LAB e ficou com os 60 trabalhadores da Delcon, encerrada no âmbito do processo de falência da Ricon.

“Já fomos completamente verticais, mas assumimos uma nova estratégia. Hoje queremos estar cada vez mais próximos das empresas e marcas nossas clientes. Assumimos a estrutura de recursos humanos da Delcon, que era uma confeção da Ricon, investimos em máquinas e estamos a produzir 200 peças por dia”, diz ao Expresso Rita Ribeiro, Business Manager da empresa.

A TMG Textiles chegou a considerar a hipótese de comprar a Delcon, mas optou por assumir os seus recursos humanos e 'know how', abrindo a MG LAB na sua sede, em Famalicão.

É aí que trabalham as 40 costureiras e os 20 administrativos que já pertenceram ao universo da Ricon e hoje fazem pequenas coleções para alguns clientes da empresa. O caminho é “estreitar a relação de proximidade”, diz Rita Ribeiro, certa dos méritos da aposta na aproximação aos clientes e da oferta de soluções chave na mão, com recurso ao sourcing.

“A nossa estratégia é sermos uma extensão industrial dos nossos clientes. Não vendemos minutos de trabalho, mas valor acrescentado, o que significa design e serviço”, afirma Rita Ribeiro, para explicar a decisão de iniciar o circuito interno de trabalho na tecelagem e tricotagem, deixando a fiação definitivamente de lado por razões de competitividade e rentabilidade.

Certa de que os clientes estratégicos querem a TMG Textiles como parceira no 'sourcing' e procuram comprar cada vez mais tarde, com prazos curtos, sempre em pequenas séries, a empresa assume ter tido no seu redimensionamento “um grande desafio” e estar pronta a crescer a partir desta base.

Neste processo, trouxe a confeção de malha de Ponte de Lima para a casa mãe, em Famalicão, onde está, também, a confeção de tecidos, a tecelagem e a tricotagem. A seis quilómetros tem a unidade de acabamentos de tecidos e malhas. Com a expansão em curso, a TMG Automotiv, empresa do mesmo grupo dedicada ao segmento automóvel, com base industrial em Campelo, perto de Guimarães, criou, também, uma extensão junto à sede, na avenida batizada com o nome do fundador do grupo, Comendador Manuel Gonçalves.

Um grupo, 1300 trabalhadores

Hoje, o grupo TMG emprega 1300 trabalhadores e fatura 160 milhões de euros, somando ao seu portfólio a marca de surf Lightning Bolt.

O segmento têxtil que acaba de marcar presença na feira Premiére Vision, em Paris, já de acordo com o novo posicionamento estratégico, com uma coleção confecionada na MG Lab para mostrar tudo o que é possível fazer com os tecidos da casa, vale atualmente 40 milhões de euros, emprega 600 pessoas, 10 das quais são designers, e tem a sustentabilidade cada vez mais como foco, sublinha Rita Ribeiro.

Com 90 clientes, entre os quais duas marcas do grupo Inditex e insígnias como Ralph Lauren, Carolina Herrera ou Hugo Boss, a TMG Textiles Exporta 95% da produção, maioritariamente para a Europa, e investiu €10 milhões entre equipamento e a nova aposta na confeção de tecidos nos últimos cinco anos, conseguindo duplicar a faturação no mesmo período. “A mão de obra triplicou”, precisa Rita Ribeiro, adiantando que o grupo continua a contratar.

A Automotiv está a recrutar 70 pessoas e o segmento têxtil precisa de técnicos de debuxo, engenheiros têxteis e engenheiros industriais.

Nesta dinâmica, a empresa apostou, também, nas parcerias. Trabalha com 50 empresas do Vale do Ave na subcontratação de produtos específicos e encomendas de clientes que querem soluções chave na mão para as suas coleções, colocou máquinas próprias em três tinturarias da região. Do Paquistão, importa um milhão de metros de tecido cru.

Para o futuro próximo, o objetivo é "a consolidação", com um posicionamento voltado para clientes do segmento médio - alto, sempre "numa relação de proximidade" com eles. Em nome da eficiência, Rita Ribeiro assumiu a responsabilidade pelas áreas das vendas e das compras. "Numa altura em que o cerco às margens aperta, conseguimos, assim, ter uma noção mais clara dos valores e um maior controlo sobre eles", explica.

Fundada em 1937, a TMG já tinha anunciado, no final de 2016, investimentos de mais de 50 milhões de euros nas suas instalações históricas, através da TMG Automotiv e da TMG tecidos.

Em dezembro de 2017, Isabel Furtado, presidente executiva da TMG Automotiv, admitiu que o grupo estava a olhar para a bolsa. "Estamos a reestruturar a empresa para podermos entrar em bolsa se o quisermos fazer", disse a gestora, representante da terceira geração da família de Manuel Gonçalves, numa conferência sobre investimento e financiamento do investimento, no Porto.

"Quanto mais transparente for a nossa governance, melhor", afirmou a administradora da TMG, um dos grupos mais 'low profile' da economia nacional, com uma das têxteis portuguesas de referência e interesses noutros sectores da Banca à Efacec, aos vinhos, através das Caves Transmontanas e da Casa de Compostela, e aos helicópteros, via Heliportugal.