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“Os desastres da TAP”. Clara Ferreira Alves pergunta quem delapidou património no negócio do Brasil

“Quem continuou a apostar no Brasil depois de concluir que era o caminho da bancarrota? Quem teve nestas práticas de gestão eventuais responsabilidades criminais? Quem delapidou de forma perdulária e irracional este património?”

As perguntas são de Clara Ferreira Alves e foram colocadas há uma semana, a propósito do negócio da TAP no Brasil, depois de se saber que ela custou 500 milhões de euros à companhia aérea. Agora, foi tornado público que Fernando Pinto e a sua administração executiva, que comprou a empresa de manutenção VEM, está constituída arguida. E por isso recupera-se o texto escrito uma semana antes pela colunista do Expresso.

O texto foi publicado na edição de 15 de setembro do semanário Expresso, na página habitual de Clara Ferreira Alves que abre a revista E, e reagia à entrevista de Antonoaldo Neves ao nosso jornal publicada na semana anterior, 8 de setembro. Ao lê-la, “ia caindo para o lado”, escreve a colunista. “Finalmente, alguns segredos da TAP, que funcionava como uma confraria secreta, desvendados.” Incluindo os problemas nos cancelamentos de voos e quando Antonoaldo Neves assume que “a pontualidade da TAP é vergonhosa”.

Fernando Pinto, ex-presidente executivo da TAP

Fernando Pinto, ex-presidente executivo da TAP

José Caria

Clara Ferreira Alves escreve sobre o “sempiterno presidente, Fernando Pinto”, que “ia soletrando homilias sobre a excelência da TAP, tirando pequenos problemas, mais tarde acompanhadas da necessidade de a vender”. Mas a crítica maior vem a propósito do negócio no Brasil: na entrevista, Antonoaldo Neves anunciava em primeira mão ter fechado a operação da Manutenção em Porto Alegre, no Brasil, depois de despedir mil pessoas. E revelando os prejuízos ao longo dos vários anos. “A sangria acabou”, afirmava o gestor brasileiro.

“A parte sumarenta da entrevista, e a que queria ler, era a do “negócio do Brasil”, esse fantasma que assombrou a TAP sem se perceber como e porquê. Ou quanto custou”, escreve Clara Ferreira Alves. “O que não sabíamos antes da entrevista de Antonoaldo Neves”, prossegue, “é que a TAP derramou no negócio dos restos da defunta Varig mais de 500 milhões de euros, tanto como a dívida da TAP. Só agora a operação foi encerrada, sobrando uma no Rio de Janeiro que registou um lucro operacional, descontados os “custos de reestruturação”. Porto Alegre era uma “sangria, não parava de perder dinheiro”.

“Assim, e sendo a TAP portuguesa, pergunta-se: porque demoraram de 2005 a 2018 para estancar a hemorragia brasileira? 500 milhões de euros, mais de 500 milhões, é demasiado dinheiro para passarmos uma esponja sobre o assunto”, desafia. “Dentro da nova política de “responsabilização” da TAP, a nova cultura da empresa, não seria de apurar quem foram os responsáveis de gestão, e políticos adjuntos, pelo desastre? Quem continuou a apostar no Brasil depois de concluir que era o caminho da bancarrota? Quem teve nestas práticas de gestão eventuais responsabilidades criminais? Quem delapidou de forma perdulária e irracional este património?”

Antonoaldo Neves, novo presidente executivo da TAP

Antonoaldo Neves, novo presidente executivo da TAP

Ana Brígida

A Polícia Judiciária está a investigar a compra da VEM - Varig Engenharia e Manutenção, que foi negociada entre 2005 e 2007, a partir de uma queixa anónima recebida em 2010. Recorde-se que, em abril de 2016, houve buscas na TAP e já então se sabia que elas estavam relacionadas com a manutenção no Brasil. As operações foram realizadas no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público, em investigação no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Soube-se este domingo pelo Público que Fernando Pinto foi constituído arguido há ano e meio por suspeitas de gestão danosa. Toda a antiga administração executiva da TAP foi também constituída arguida, incluindo ainda Luís Ribeiro Vaz, Fernando Alves Sobral, Michael Connoly e Luiz Gama Mór, além de um outro responsável, entretanto falecido. Não há ainda acusação.

Leia o texto de opinião de Clara Ferreira Alves na íntegra AQUI.