ARQUIVO Fórmula 1 (2009)

Fórmula 1: Saiba como funciona o sistema KERS

20 janeiro 2009 13:29

Pedro Miguel Neves

O KERS é uma das grandes inovações para a temporada 2009 da Fórmula 1. Perante críticas de equipas e pilotos, fique a saber o que é e como funciona na prática este sistema.

20 janeiro 2009 13:29

Pedro Miguel Neves

O Kinetic Energy Recovery Systems (KERS) é uma das grandes novidades para a próxima temporada de Fórmula 1, que está a ser muito criticado por equipas e pilotos.

Flavio Briatore, director-geral da Renault, afirmou ontem no Algarve que o sistema "custou uma fortuna e não serve para nada". O patrão da marca francesa revela que as equipas, no seu conjunto, gastaram "200 milhões de euros" no desenvolvimento do sistema.

Fernando Alonso, ex-campeão mundial, assume que "o KERS não faz muito sentido". "Duvido que faça a diferença, porque todos vão usá-lo no mesmo sítio. E se no próximo ano há a possibilidade de haver um KERS igual para todos, é uma parvoíce usá-lo este ano".

"O KERS é um mundo completamente novo para nós. Ainda não sabemos quando o vamos usar, ou se o vamos usar. O KERS continua a ser uma questão para a maioria das equipas. Primeiro é necessário garantir fiabilidade e segurança e depois ver se traz vantagens", disse hoje Jarno Trulli.

O italiano, o segundo mais experiente piloto do plantel do Campeonato do Mundo, depois do compatriota Giancarlo Fisichella, sublinhou que "ainda não se sabe muito sobre o KERS", porque "o sistema é novo para todos".

"Mas estamos obviamente preocupados com o que aconteceu com outras equipas. Temos de ser todos muito cuidadosos, porque é um sistema complicado. A segurança é importante para todos, pilotos e membros das equipas", frisou Trulli, 34 anos.

O presidente da Toyota Motorsport recordou que a poupança de combustível é "uma das vantagens" do sistema, pelo que ele representa "a direcção correcta" enquanto tecnologia amiga do ambiente".

"Mas como tecnologia de performance ainda não é relevante", adiantou, porém, o inglês John Howett, segundo o qual "a questão da segurança ainda não está totalmente resolvida em caso de colisão grave", porque o sistema, com baterias, fica colocado junto ao depósito de combustível.

Apesar de se manifestar "confiante", Howett colocou a possibilidade de a Toyota não utilizar o KERS enquanto os seus responsáveis não estiverem "convencidos dos seus benefícios". 

O que é e como funciona?

O KERS, ou Kinetic Energy Recovery Systems, é um sistema que utiliza a energia em excesso na travagem do carro, armazena-a e reutiliza-a, posteriormente, para impulsionar a potência do motor.

O sistema é composto por duas fases: carregamento e impulsão. Na primeira fase, a energia cinética dos travões traseiros é captada por um alternador/motor, controlado por um CPU (unidade central de processamento), que depois carrega as baterias.

Na fase de impulsão, o alternador eléctrico passa a energia acumulada de volta para o motor, num fluxo contínuo, quando o piloto carrega num botão de impulsão situado no volante. Esta energia equivale a cerca de 80 cavalos e pode ser usada até aos 6,6 segundos por volta.

A localização dos principais componentes do sistema KERS, na base do depósito de combustível, retira cerca de 15 kg de capacidade ao mesmo, o que pode ser suficiente para alterar a estratégia de corrida principalmente em circuitos onde antes era possível completar um grande prémio apenas com uma paragem.

O sistema KERS passa a ser opcional em 2009 para o circuito mundial de Fórmula 1.