Diário

Como funciona em Lisboa o mundo secreto dos revisores de conteúdos do Facebook

4 maio 2018 18:00

reuters

A maioria terá entre 20 e 30 anos e são contratados remotamente. Têm duas semanas de formação e depois passam a decidir se o que partilhamos pode entrar ou não. Em muitas situações, só têm dez segundos para tomar decisões. A partir de Lisboa, mal pagos e com grande rapidez, trabalham para os mercados espanhol, sul-americano, francês, italiano e alemão, contam ao Expresso dois antigos revisores de conteúdos do Facebook. Sempre que se levantam do lugar, têm de registar num programa o que foram fazer - se foram à casa de banho, fumar um cigarro, almoçar ou a outro destino. Empresa diz que os salários são competitivos e os incentivos acima da média

4 maio 2018 18:00

Quando se candidataram não sabiam ao que iam. Apenas que estavam a candidatar-se a um projeto específico na Accenture, em Lisboa. “Só me conheceram no dia em que lá fui assinar o contrato”, diz ao Expresso um antigo moderador de conteúdos que trabalhou para o Facebook a partir de Lisboa. “Não tive de fazer nenhuma entrevista presencial, apenas por telefone, além de testes de inglês e de outro idioma.” Por telefone, seria apenas informado que o trabalho envolveria “conteúdo sensível” e questionado sobre se isso constituía um problema para si.

É na Accenture, em Lisboa - num edifício separado das restantes operações - que trabalham alguns dos revisores de conteúdo do Facebook. A maioria são jovens entre os 20 e os 30 anos, licenciados em áreas tão diferentes como marketing, design, gestão hoteleira e relações internacionais, entre outras, que trabalham desde a capital para os mercados espanhol, sul-americano, francês e italiano (e, recentemente, alemão), segundo contam ao Expresso dois ex-trabalhadores. Há muitos estrangeiros “que veem aqui uma oportunidade de trabalho”, tal como jovens. “Lembro-me apenas de duas pessoas com mais de 40 anos”, conta um dos entrevistados.

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