Desporto - Tribuna

Benfica processa Jesus em €14 milhões. “Não há memória de uma traição desta dimensão”

15 outubro 2015 9:20

josé coelho / lusa

Clube chegou ao montante da indemnização pedida calculando “um euro por cada adepto ou simpatizante”. No entanto, para os encarnados os danos causados pelo antigo treinador “não têm limite”

15 outubro 2015 9:20

A novela que Jorge Jesus e o Benfica têm protagonizado desde que o treinador iniciou funções no Sporting está longe do fim. Isto porque no mais recente episódio, o Benfica, conforme revela esta quinta-feira a revista “Sábado”, abriu esta terça-feira uma ação judicial contra o seu antigo técnico de futebol, em que exige receber um valor “simbólico” de 14 milhões de euros por danos não patrimoniais.

A ação é clara: se Jorge Jesus merece hoje o “destaque desportivo” e o “valor” de mercado que detém, ao Benfica o deve. Assim, o clube argumenta, ao longo das 54 páginas e 29 documentos incluídos no processo, que Jesus deve pagar “por defeito, um cálculo de um euro por cada adepto ou simpatizante”, isto “apesar de a lesão que ele provocou em cada um dos adeptos ser bem superior”. O cálculo do Benfica de um total de 14 milhões de adeptos ou simpatizantes é feito com base num estudo de opinião conduzido pela Aximage entre 1997 e 2001.

O clube da Luz justifica o processo com a rescisão “unilateral e sem justa causa” do contrato, que, segundo o Benfica, seria válido até dia 30 de junho deste ano. No entanto, se as águias argumentam que Jesus terá dado por terminadas as suas funções no Benfica a 5 de junho, baseando-se na conferência de imprensa desse dia em que o presidente do Sporting apresentou Jorge Jesus aos adeptos leoninos, o treinador apresenta uma versão bastante diferente. De acordo com o técnico, o Benfica tê-lo-á dispensado das suas funções a 4 de junho, quando o impediu de entrar nas instalações do clube.

O valor que Jorge Jesus teria de pagar se a ação se fundamentasse apenas na rescisão de contrato sem justa causa seria de 7,5 milhões de euros, mas os encarnados exigem um pagamento que compense a quebra de “lealdade”, que consideram que deveria continuar vigente já depois da cessação do contrato de trabalho. O Benfica afirma que Jesus terá oferecido ao clube de Alvalade “o modus operandi e a tecnologia, os técnicos, os métodos” e, por fim, a sua “intimidade desportiva”.

Para o clube presidido por Luís Filipe Vieira, o dano causado por Jorge Jesus, no que toca a danos não patrimoniais, “não tem limite”, uma vez que “não há memória de uma traição desta dimensão”.

O clube da Luz já avisou que vai chamar nove testemunhas a depor contra o antigo treinador. O tribunal do Barreiro, onde o processo deu entrada, tem agora dez dias para notificar o atual técnico do Sporting