26 janeiro 2012 13:25
Pinturas, gravuras e desenhos da pintora portuguesa poderão ser vistos em Paris até abril.
26 janeiro 2012 13:25
A obra "representativa" da pintora Paula Rego, com trabalhos desenvolvidos entre 1988 e 2009, desde "A família" à "Mulher cão", poderá ser vista a partir de hoje nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian em Paris.
Segundo Helena de Freitas, diretora da Fundação Paula Rego/Casa das Histórias e co-organizadora da iniciativa, a mostra - composta por cerca de 30 pinturas, gravuras e desenhos - não é retrospetiva e foge à ordem cronológica da criação das obras.
"Escolhemos um formato que põe em relevo um período que corresponde a uma grande maturidade do trabalho artístico da Paula Rego e que coincide com o reconhecimento internacional da sua força e originalidade", disse.
Percurso começa com a obra "A família"
Os trabalhos vão ficar expostos na nova sede da fundação, inaugurada recentemente em França, até ao dia 1 de abril.
Helena de Freitas considera que "esta vai ser uma grande oportunidade para Paris olhar para Paula Rego e compreender a sua obra. "É uma exposição forte, a que ninguém poderá ficar indiferente. O espaço não é grande e as obras são densas, fortes, bonitas", disse.
O percurso começa com a obra "A família" (1988), que desenha uma mulher, mãe e duas filhas, na tentativa de reanimarem "a todo o custo" o marido, pai. A diretora explica que esse trabalho foi feito depois de 1986, ano que os críticos apontam como o da "fratura mais evidente" no trabalho da autora, depois da morte do seu marido, Victor Willing, e "inicia a alteração da sensação de representação plástica de Paula Rego".
Essa "mudança radical" é também ilustrada na série "A menina e o cão", construída a partir dessa data, que, explicou Helena de Freitas, "exprime, de forma alegórica, a fase final da doença do seu marido, transpondo, na representação das duas figuras, a humana e a animal, uma coreografia de gestos quotidianos de dependência física e de violência psicológica".
Emoções muito presentes
"É uma exposição que, de alguma forma, entra no campo das emoções. Todo o potencial emocional está muito presente", acrescentou.
Um pilar central destes "núcleos temáticos e séries" que compõem a exposição é o "Anjo" (1998), a mulher que segura com uma mão a espada, com a outra uma esponja, "os símbolos da paixão". Helena de Freitas considera esta obra "fundamental" porque "ela transporta os símbolos do sofrimento da paixão" e sublinha a "dualidade, muito importante no trabalho da autora".
O percurso termina - "ou pode começar" - com a "Mulher cão" (1994), "uma série muito forte, que também tem que ver com a paixão e com relações emocionais e que expõe o lado animal da mulher na relação com o amor".
Na verdade, a diretora encontra antes um fim no "O Pillowman" (2004), "obra poderosíssima, muito complexa, que incorpora já a questão dos modelos e muitas memórias de Portugal".