Cultura

Eugénio Lisboa, a entrevista aos 90 anos. “Choca-me a gritaria unanimista de cada vez que morre um personagem de algum porte”

28 fevereiro 2021 10:38

José Fernandes

José Fernandes

Fotojornalista

Não gosta de se ver envolvido em polémicas, mas também não foge delas. Nem mesmo aos 90 anos. O ensaísta, escritor e crítico literário continua em atividade, assim como o homem que pensa um tempo, uma cultura e as suas luminosas interligações. Pedro Mexia entrevistou-o durante duas horas, na casa do autor em São Pedro do Estoril

28 fevereiro 2021 10:38

José Fernandes

José Fernandes

Fotojornalista

Aos 90 anos, Eugénio Lisboa mantém a curiosidade e a vivacidade intactas. Tal como nos seus tempos moçambicanos, há décadas, continua a envolver-se em polémicas, que não procura, diz, mas que nunca recusa. Recentemente, destoou daquilo a que chamou o “unanimismo” em torno de Eduardo Lourenço, escrevendo na coluna que mantinha no “Jornal de Letras” um artigo que seria, por sua vontade, o último. Também publicou um livro de poemas, alguns de escárnio e maldizer, e tem perturbado as boas almas com a convicção de que estética e moralidade são esferas autónomas.

Recebe-nos no seu apartamento em São Pedro do Estoril, com livros, discos, DVD, jornais e revistas por todo o lado. E durante duas horas regressa ao “paraíso” que era a Lourenço Marques da infância e juventude, aos combates do fim do Império e ao fim abrupto, doloroso, quando teve de escolher uma nacionalidade, embora se sentisse tão africano quanto europeu. Engenheiro de profissão, activíssimo na vida cultural moçambicana, foi depois professor em universidades portuguesas e estrangeiras e durante 17 anos conselheiro cultural da nossa Embaixada em Londres, tendo contribuído decisivamente para a edição inglesa de muitos clássicos portugueses.

Este é um artigo do semanário Expresso. Clique AQUI para continuar a ler.