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Caso dos precários. Manel Cruz, dos Ornatos Violeta, recusa voltar a tocar “nesta Casa da Música”

19.06.2020 às 9h05

Manel Cruz

FOTO PN/MC

O “Bandido” com poiso criativo no Stop acendeu o sinal vermelho, sem ornatos nas palavras. O artista de 45 anos juntou firmemente a sua voz ao coro solidário contra a “Chaga” da precariedade que se ouve dizer na Casa da Música

Da precariedade, Foge Foge Bandido. É o “Fim da Canção” entre Manel Cruz e a Casa da Música. Não é só mais um “Dia Mau” e está longe de ser um “Caso Arrumado” para a instituição cultural da Invicta, cercada há dois meses com “Notícias do Fundo” sobre intimidação, represálias, falsos recibos verdes e dispensa de trabalhadores que participaram numa vigília silenciosa.

O artista de 45 anos juntou a sua voz ao coro de críticas e “Deixa Morrer” a possibilidade de voltar a subir ao palco da emblemática sala de espetáculos portuense. “Nunca mais toco nesta Casa da Música”, garante Manel Cruz.

Numa mensagem partilhada nas redes sociais, o antigo capitão dos Ornatos Violeta põe fim ao romance com a Casa da Música. A última vez que ali subiu ao palco aconteceu a 28 de abril de 2019, num concerto de apresentação do álbum “Vida Nova”, reencarnação musical em nome próprio.

“Não sei em que outra casa poderei tocar, um dia… mas sei de muita gente a quem confiaria a solução. Gente que vê na música uma forma de tornar os nossos filhos mais libertos e autónomos”, defende Manel Cruz.

Gente a quem pede “verdadeiro compromisso, amor e dedicação”. “Esses quero nas direções. Verdadeiros gestores, desses que apontam a longo prazo, e fazem o povo aprender e não ser ensinado”, preconiza no manifesto em que se apresenta como um simples “operário de muitas coisas” com o “12.° ano de escolaridade”.

Da Casa da Música, Manel Cruz não quer “um cubo torto, a quem nasceu a forma antes do conteúdo”.

Mensagem partilhada, ao final da noite desta quinta-feira, por Manel Cruz, já depois de o maestro Borges Coelho se ter demitido do conselho de administração da Casa da Música

Mensagem partilhada, ao final da noite desta quinta-feira, por Manel Cruz, já depois de o maestro Borges Coelho se ter demitido do conselho de administração da Casa da Música

Manel é irmão de Marcos Cruz, um dos trabalhadores que tem liderado a contestação à administração, da qual já se demitiu, esta quinta-feira, José Luís Borges Coelho, maestro que deixou cair a batuta por estar num “desacordo solitário com o modo como tem vindo a ser conduzido o processo dos chamados precários”.

Marcos Cruz realça que este “era o único administrador a quem nós reconhecíamos uma ação cultural, por sinal de extraordinário valor. Um homem que, aos 80 anos, teve a coragem de lutar do nosso lado, do lado dos 'fracos', por valores que não se vendem”, escreveu no Facebook o membro da equipa de conteúdos e comunicação da CdM.

“Já não somos as formigas e a administração da Casa da Música já não é o elefante. Talvez tenhamos agora oportunidade de olhá-los nos olhos e dizer-lhes o que queremos”, atira Marcos Cruz.

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    Num comunicado enviado à agência Lusa, um dos dois representantes do Estado no Conselho de Administração da Casa da Música fala em "desacordo solitário com o modo como tem vindo a ser conduzido o processo dos chamados 'precários' da Casa da Música", e refere não ter recebido até hoje "o mais leve sinal da tulela"

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    A garantia foi dada esta terça-feira, perante a comissão parlamentar de Cultura, pelo presidente do conselho de administração da Fundação Casa da Música. José Pena do Amaral considera que a instituição “tratou bem os trabalhadores” durante esta fase de pandemia, diz não ter conhecimento de qualquer “atitude de pressão” e acrescenta que só não houve mais diálogo com os funcionários pelo facto de a Comissão de Trabalhadores se ter demitido