Livros: A ferida de Chico Buarque no Brasil de Bolsonaro
18.01.2020 às 10h31
Chico Buarque, galardoado com o Prémio Camões 2019, tem um novo romance sobre um homem desinspirado e “o que estão fazendo” com o seu país
Nesta obra, Chico Buarque já não recua “à vasta ferida” que é a memória, mas não abandona o velho hábito de pensar sobre a ferida brasileira
Reuters
Um homem sem inspiração aspira ir para as montanhas. Mas apenas consegue calcorrear o Leblon. Salvar-se de um afogamento no Atlântico. Fazer umas incursões pelo morro do Vidigal. Engatar uma ‘traveca’. Assistir a um espancamento e a uma execução policial. Ir a um funeral, por engano. Ter sonhos eróticos com as mulheres dos outros ou exigir o adiantamento de um livro que deveria ter acabado três anos antes.
O resto é comédia de costumes, ainda que o olho crítico pareça distraído. Não escapa, contudo, às festas do novo poder político, ao alpinismo social, à ‘grilagem’ das terras na Amazónia, à ascensão social dos pecuaristas e latifundiários, aos linchamentos raciais, ao bullying de classe ou à fuga de muitos cariocas para Lisboa.
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