Cultura

Quando a CIA usou a cultura como arma contra Salazar

paul schutzer/the life picture collection via getty images

Nas décadas de 60/70 dezenas de intelectuais portugueses foram envolvidos numa das mais eficazes, globais e secretas ações de propaganda da agência norte-americana desenvolvidas em plena Guerra Fria no âmbito do Congresso para a Liberdade da Cultura

22 dezembro 2019 8:50

Valdemar Cruz

Valdemar Cruz

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Jornalista

O ronco de um carro rasga o silêncio da cidade. É verão. O mês de junho de 1959 está a terminar. Naquele último dia, uma terça-feira, um casal sai do Porto com destino a França. O Volkswagen leva-os a atravessar Ávila, Madrid, Aranjuez, Barcelona, Narbonne, Aix-en-Provence, até chegarem a Lourmarin, uma pequena localidade no sudeste da França. Ali vão encontrar-se com alguns espanhóis, a convite de um poeta francês empenhado em criar na Península Ibérica uma frente de intelectuais capazes de minarem a solidez das ditaduras de Franco e Salazar. Ele chama-se Alberto Luís. É advogado. Vai apenas pela companhia e para conduzir. Ela chama-se Agustina Bessa-Luís. É escritora e está convidada a participar numa ação do Congresso para a Liberdade da Cultura (CLC).

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