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A odisseia de um novo submarino

O capitão Klaus Hoffman (ao centro, interpretado por Rick Okon) lidera a jovem tripulação do U-612

Nik Konietzny/Bavaria Fiction

Depois do sucesso na Alemanha, a sequela de filme de Wolfgang Petersen — passada durante a Segunda Guerra Mundial — está a estrear-se nos principais mercados internacionais e é uma das grandes apostas do AMC em Portugal. O Expresso falou com Rick Okon, protagonista de “Das Boot”, com estreia marcada para amanhã

João Miguel Salvador

João Miguel Salvador

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Jornalista

Tudo começou com um e-mail do agente, que o informou de que estaria em marcha um projeto televisivo relacionado com “Das Boot”, mas a notícia foi recebida por Rick Okon com relutância. “No início pensei: ‘Por favor não façam um remake’. E quando li o guião tive a certeza de que não era disso que se tratava. Tornou-se claro que seria mais uma sequela do que qualquer outra coisa.” E era mesmo essa a intenção de Johannes W. Betz e Tony Saint, que queriam prestar homenagem ao filme de Wolfgang Petersen “A Odisseia do Submarino 96” (estreado cá em 1982) sem que isso ferisse a sensibilidade daqueles que continuam a ver na longa-metragem nomeada para seis Óscares uma referência do cinema bélico. Também para Okon, que viria a tornar-se no protagonista deste “Das Boot” televisivo, a garantia tinha um valor especial. Fã da película original, que adaptava o romance de Lothar-Günther Buchheim escrito em 1973, não queria que esta fosse recriada num novo formato.

“Primeiro vi o filme e depois é que li o livro, mas [agora] no que estava mais interessado era na série”, conta Rick Okon ao Expresso, adiantando alguns pormenores sobre a narrativa de “Das Boot”. “Há duas histórias a decorrer em simultâneo na série. Uma no submarino, dentro do U-612, e outra em terra, em La Rochelle, em França”, explica o ator, e é aí que tudo começa, com o operador de rádio a servir de ligação entre as duas vertentes de “Das Boot”. O tempo é o da Segunda Guerra Mundial, mais precisamente o outono de 1942, com a França sob ocupação nazi, e o submarino onde tudo vai acontecer está preparado para a sua viagem inaugural. Mas nem tudo correrá como à partida se julgaria e o capitão Klaus Hoffman (Rick Okon) terá de manter o sangue frio enquanto lidera a jovem tripulação.

Em condições claustrofóbicas, experimentadas pelo próprio elenco durante as filmagens — também por isso o recurso a duplos nas cenas mais arriscadas teve de ser reduzido, obrigando os atores a formação física específica —, os tripulantes vão sentir o nível de tensão a subir, ao mesmo tempo que a natureza de cada um é levada ao limite. Serão todos tão leais como à partida se julgara? Talvez não e isso não é algo que aconteça apenas debaixo de água. Em tempo de guerra, é também pelo porto de La Rochelle que a ação passa. A vida de Simone Strasser vai mudar drasticamente ao ver-se envolvida numa operação perigosa e numa história de amor proibida que a farão sentir-se dividida (entre o seu compromisso com a Alemanha e a Resistência).

“História de espionagem e sobrevivência, ‘Das Boot’ explora o caos emocional da vida em terra e mar durante a Segunda Guerra Mundial e a realidade de uma guerra brutal”, descreve o canal AMC, que aposta nesta série de sucesso alemã para a sua grelha de fevereiro. A produção de luxo, considerada a mais cara de sempre a ser produzida na Alemanha (numa parceria da Sky, Bavaria Fiction e Sonar Entertainment) fez bons números no país e prepara-se agora para navegar para novos mercados em busca de replicar o sucesso já alcançado no mercado interno. O investimento de 32 milhões de dólares (28 milhões de euros) deu à equipa a possibilidade de gravar ao longo de 105 dias em lugares tão diferentes como La Rochelle, Munique, Praga e Malta e agora é tempo de lucrar com a aposta.

A identificação com a história — “A Odisseia do Submarino 96” foi um sucesso nos anos 80 — pode ajudar os produtores a atingirem os seus objetivos comerciais, mas este não é o único fator a levar a história a bom porto nas audiências. O elenco principal internacional dará decerto uma ajuda (ao alemão Rick Okon juntam-se nomes como Thomas Wlaschiha, Lizzy Caplan, Vincent Kartheiser, Vicky Krieps, Rainer Bock ou August Wittgenstein) e este foi um projeto que correu bem no seu todo, como assegura Rick Okon. “O segredo do sucesso é a junção de todas as partes, que correram muito bem”, considera, elencando vários departamentos da produção (como o de guarda-roupa, por exemplo) e destacando a importância da realização — assinada por Andreas Prochaska — e da direção de fotografia para o resultado final. Talvez por isso esteja já garantida a oportunidade de ver o que se segue dentro de alguns meses, depois dos oito episódios já produzidos. A série foi renovada para uma segunda temporada e esta já está em pré-produção.

“Das Boot” estreia-se amanhã pelas 22h10 no AMC e a chegada da série a Portugal não acontece apenas na televisão linear. Em parceria com a MEO, o canal de televisão lançou uma aplicação exclusiva para clientes do operador, onde o primeiro episódio da série bélica alemã está já disponível e na qual os episódios seguintes serão disponibilizados semanalmente (com a temporada completa a ficar disponível de 1 de abril a 30 de junho).