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Alexander McQueen, o último grande criador

Ann Ray

Oito anos depois da sua morte, o legado do revolucionário génio da moda britânica chega agora ao cinema. Retrato de um homem atormentado, brilhante e provocador

A moda — e sobretudo a alta costura — não é um meio óbvio de autorrevelação, mas esse é certamente o caso de Alexander McQueen, o irreverente designer britânico cuja vida atribulada chega às salas de cinema portuguesas a 4 de outubro. As suas coleções eram uma forma de poesia confessional, como o próprio assume numa das entrevistas que compõem o documentário homónimo “McQueen”, gravadas antes de se suicidar em 2010. “A minha vida pessoal e a minha vida profissional estão muito ligadas. Com os desfiles tenho uma forma de expressar o que sinto. Se querem conhecer-me, olhem para o meu trabalho”. As máscaras e as armaduras que os seus modelos usavam muitas vezes escondiam a sua alma torturada: abusado sexualmente na infância por um cunhado, criava como uma forma de catarse. Queria “tirar os terrores” da sua alma e “pô-los na passerelle”.

Este romance com a fragilidade estava tatuado no seu braço direito, numa frase emprestada pela Helena de “Sonho de uma Noite de Verão”, de Shakespeare, uma rapariga que sente que a sua verdadeira beleza é invisível: “O amor não olha com os olhos, mas com a mente”. Se o trabalho de McQueen é um bom espelho do talentoso designer, então ele era, de facto, uma personalidade complexa, por vezes até contraditória: ora romântico, meigo e melancólico, ora provocador, violento e sombrio. “Era um pouco como a história de Jekyll e Hyde, tinha duas personas tão diferentes”, contam ao Expresso Ian Bonhôte e Peter Ettedgui, os realizadores de “McQueen”. “A família e os amigos tratavam-no por Lee [o seu primeiro nome], mas para os outros ele era Alexander, o estilista [começou a usar o segundo no início da carreira, porque estava a receber o subsídio de desemprego e tinha medo de o perder]. É um pouco como se, para chegar aí, ele tivesse de vender a alma e achámos isso fascinante. É uma parte muito importante da história para nós”.

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