Teatro Municipal do Porto traz Revoluções, Anarquismos e o fim da Europa
29.06.2018 às 16h31
Bruno Simão
O próximo semestre, de setembro a fevereiro, conta com 63 espetáculos na programação. Os principais destaques vão para a Companhia Nacional de Bailado e para os gregos “Blitz Theatre Group” que traçam em palco um possível cenário apocalíptico do colapso europeu
O regresso da Companhia Nacional de Bailado, as estreias nacionais de “The Waves” do coreógrafo francês Noé Soulier e de “Late Night” dos gregos “Blitz Theatre Group”, as “Revoluções” dançantes de Né Barros inspiradas no maio de 1968 ou os “Anarquismos” do encenador galego Pablo Fidalgo Lareo, assim como a história “Unwanted” de Dorothée Munyaneza sobre mulheres violadas em territórios assolados pela guerra são alguns dos destaques da rentrée cultural do Teatro Municipal do Porto (TMP).
O próximo semestre, entre setembro deste ano e fevereiro de 2019, é constituído por 63 espetáculos, dos quais 14 são criações internacionais (11 com apresentação inédita em Portugal), num cartaz com espaço para 20 peças de companhias e estruturas da cidade.
A Companhia Nacional de Bailado chega ao Rivoli com “Olhos Caídos” (2010), “A Tecedura do Caos” (2014) e um novo “S”, três obras de Tânia Carvalho, a coreografar pela primeira vez este conjunto de bailarinos. A tríade é levada a palco nos dias 21 e 22 de setembro, com o diretor do TMP, Tiago Guedes, a frisar a “forma multifacetada como a CNB tem desenvolvido o seu trabalho”, apresentando-se numa “faceta mais contemporânea”.
A Companhia Nacional de Bailado está de regresso ao Rivoli
Bruno Simão
“Estava em Casa e Esperava Que A Chuva Viesse.” É esta a proposta da encenadora Renata Portas, do coletivo teatral Público Reservado, levando-nos artisticamente até ao cenário cinzento de uma casa habitada por cinco mulheres e à qual um homem regressa para se despedir antes de morrer. A peça, em estreia no Campo Alegre entre 22 e 23 de setembro, parte do texto de Jean-Luc Lagarce, como um espelho que reflete a experiência da perda e da reinvenção da memória.
O Teatro Campo Alegre será também inundado por “The Waves”, uma criação do jovem e promissor coreógrafo Noé Soulier, apresentada pela primeira vez em Portugal nos dias 28 e 29 de setembro, onde são exploradas “formas em que os gestos sugerem experiências corporais que alargam a pesquisa central dos anteriores espetáculos”, como se lê na sinopse.
O mês de setembro termina com “Jângal”, da companhia Teatro Praga, para ver nos dias 29 e 30. Trata-se de uma coprodução entre o Teatro Municipal do Porto e Teatro São Luiz, com uma diegese que remete para um “futuro imaginário”, descreve Tiago Guedes, onde a ação é “desenrolada na web, dentro de um ficheiro dos nossos computadores”.
Vá ao teatro ver o fim do mundo. “Late Night”, da companhia dramática grega Blitz Theatre Group”, é mais um dos espetáculos em estreia nacional, no Rivoli a 4 de outubro. Trata-se de uma “peça premonitória, com melancolia e sentido de humor, sobre um futuro pós-catástrofe e sobre a possibilidade do final da Europa”.
A companhia grega traz até ao Porto o cenário trágico e apocalíptico da implosão da Europa
Vassilis Makris
Quando setembro termina, acordam as marionetas. O emblemático Festival Internacional de Marionetas do Porto - um dos eventos que ficou sem apoio da DGArtes - invade o Rivoli e o Campo Alegre entre 13 e 20 de outubro. Rui Moreira, presente na conferência de imprensa de apresentação da programação, explicou que a autarquia, “consciente da relevância histórica do FIMP e do seu fundamental contributo para a formação de cena artística contemporânea na cidade e no país, decidiu reforçar o apoio ao festival”, com uma dotação anual de 70 mil euros que assegura a continuidade do certame nesta 28.ª edição assim como na próxima.
O “Fórum do Futuro” é outro dos projetos já incontornáveis na Invicta e a quinta edição realiza-se de 4 a 10 de novembro, este ano subordinada ao tema “Ágora Club”. O evento, composto por palestras e performances, servirá para “debater questões em torno da ética, estética e filosofia da antiguidade no período contemporâneo”, desvendou o presidente da Câmara Municipal do Porto.
Os destaques no início do próximo ano vão para a celebração artística do 87.º aniversário do Rivoli, com um fim de semana de programação cultural ininterrupta, nos dias 19 e 20 de janeiro. A festa faz-se com teatro, dança, cinema, música, instalação e literatura.
O mês de fevereiro marca o regresso ao Campo Alegre da cantora e coreógrafa de origem ruandesa Dorothée Munyaneza. A artista radicada em França traz a história de mulheres violadas em zonas de conflito, num processo criativo baseado em relatos pungentes de mães rejeitadas e mulheres feridas pelas circunstâncias de uma vida que não planearam. “Unwanted” faz a sua estreia nacional a 1 de fevereiro. Nos dias 15 e 16 do mesmo mês, a companhia “Ballet de L’Opéra de Lyon” apresenta-se no Rivoli para dar corpo e movimento a duas peças (“Dance” e “Set and Reset/ Reset”).
O investimento da CMP para a estruturação do semestre artístico é de 575 mil euros, revelou Rui Moreira, considerando a programação “vibrante e intensa”. A conferência de imprensa serviu ainda para anunciar algumas mudanças estruturais, como a alteração do horário das récitas realizadas às 21h30 e que agora passam a ser exibidas às 21h, depois de uma sondagem efetuada junto do público do TMP.