Coronavírus

Vila Galé prevê em 2022 receitas 10% abaixo do período pré-covid. E começa a construir quatro novos hotéis em Portugal

23 fevereiro 2022 19:53

: O grupo português vai inaugurar em junho deste ano um hotel em Alagoas, no Brasil, onde é de momento o ‘nº 1’ em resorts

Além de inaugurar um novo resort no Brasil, o grupo vai este ano iniciar obras para novos hotéis nos Açores, em Tomar e no Alentejo, a abrir em junho de 2023. E acabou de comprar uma quinta em Ponte de Lima, com o objetivo de fazer um enoturismo, recuperando também um castelo

23 fevereiro 2022 19:53

O Vila Galé anunciou que vai iniciar a construção de quatro novos hotéis em Portugal em 2022, ano em que prevê uma recuperação mais consolidada face ao impacto da pandemia de covid-19, mas ainda assim mantendo a perspetiva conservadora de ficar 10% a 15% abaixo em receitas face a 2019 – o melhor ano de sempre para o turismo nacional.

“A pandemia dá sinais de se ir embora, mas há mais notícias desagradáveis no horizonte”, advertiu esta quarta-feira Jorge Rebelo de Almeida, presidente da Vila Galé, destacando o aumento da inflação, a escassez de matéria-prima, “e, o mais grave de tudo, assistir às diatribes de Putin na Ucrânia”. “É péssimo para o turismo haver estas preocupações no ar”.

Num encontro com jornalistas, o líder do grupo hoteleiro frisou que o objetivo “no meio disto tudo é levar a vida para a frente e fazer coisas”, pelo que a Vila Galé mantém o projeto de avançar este ano com a construção de mais quatro hotéis, com abertura prevista para junho de 2023, e que totalizam investimentos de cerca de 50 milhões de euros.

“É difícil falar de números porque os preços na construção dispararam, nas matérias-primas como o aço e também com mão-de-obra”, acrescentou Jorge Rebelo de Almeida: “Dizemos que estes investimentos poderão representar 50 milhões de euros, mas por enquanto é apenas um valor indicativo”.

Os novos hotéis que a Vila Galé vai este ano construir localizam-se nos Açores, no Alentejo e em Tomar. No caso do projeto dos Açores, o grupo avança ter já iniciado as obras de demolição necessárias para reconverter o antigo convento e hospital de São Francisco, em Ponta Delgada, num hotel de charme com 93 quartos. Ficará com o nome de Vila Galé Collection São Miguel.

Em Tomar, o grupo tinha adquirido à câmara o convento de Santa Iria, além do antigo colégio feminino, e vai prosseguir obras de reabilitação com vista a criar um hotel de quatro estrelas com cerca de 100 quartos, o Villa Galé Collection Tomar.

Na herdade agro-turística que o grupo tem em Beja (onde funciona o Vila Galé Clube de Campo) irão nascer dois novos hotéis. O destaque vai para o hotel de crianças, o Vila Galé Nep Kids, que terá 80 quartos, num “conceito inédito em Portugal”, onde os adultos só entram se estiverem acompanhados de crianças.

“Vai ser o hotel dos meus sonhos de criança”, promete Jorge Rebelo de Almeida, adiantando que a unidade terá réplicas de autocarros ou cabines telefónicas de época, além de pormenores como “um baú de briquedos antigos, onde se encontra desde o peão a carrinhos de rolamento”.

Mas os adultos não foram esquecidos nos novos projetos da Vila Galé, que a pensar neles vai avançar com um “agro-turismo temático” na sua propriedade no concelho de Beja.

A Vila Galé também acabou de comprar uma quinta em Ponte de Lima, “uma região linda onde queremos fazer um projeto de enoturismo, comprámos um paço com um castelo antigo que vamos restaurar e que, dizem, é do tempo de D. Afonso Henriques”, adianta Jorge Rebelo de Almeida. Sobre este projeto, não há ainda perspetivas de prazos de finalização.

Durante a pandemia, a Vila Galé abriu um hotel na Serra da Estrela (na foto), a par de outras unidades em Alter-do-Chão (Alentejo) e no Douro 

Durante a pandemia, a Vila Galé abriu um hotel na Serra da Estrela (na foto), a par de outras unidades em Alter-do-Chão (Alentejo) e no Douro 

A pandemia de covid-19 afetou duramente os hotéis, e a Vila Galé não foi excepção. “O ano de 2021 acabou por ser ainda bastante difícil para o turismo, foi melhor que 2020 mas ficou muito longe do período pré-pandemia”, avança Gonçalo Rebelo de Almeida, administrador do grupo.

Em 2021 as receitas da Vila Galé totalizaram cerca de 59 milhões de euros, ficando 50% abaixo dos anos anteriores à pandemia, e como frisa Gonçalo Rebelo de Almeida, “em linha com o que foi a realidade turística do país”.

Recorde-se que, durante a pandemia, a Vila Galé abriu três hotéis, na Serra da Estrela, em Alter do Chão (Alentejo) e no Douro.

No Brasil, onde o grupo português é o nº 1 em resorts, as receitas da Vila Galé em 2021 totalizaram 325 milhões de reais (cerca de 57,5 milhões de euros), ficando apenas 15% abaixo do período pré-pandemia. Graças ao seu enorme mercado interno, “o Brasil nunca foi tão abaixo e recuperou mais rápido que Portugal”, explica Gonçalo Rebelo de Almeida.

A Vila Galé está a avançar com a construção de um novo resort no Brasil, em Alagoas, cuja inauguração está prevista para junho de 2022.

Contando com 37 hotéis, a Vila Galé prevê a partir de agora em Portugal um período de recuperação no turismo face aos impactos da pandemia. 

“Com a estabilização das regras de viagens, e as companhias aéreas a repôrem rotas, as perspetivas daqui para a frente começam a ser animadoras, se não acontecer nada em contrário”, refere Gonçalo Rebelo de Almeida. “A partir de abril temos hotéis com taxas de ocupação acima dos 60%, o que já não víamos há muito tempo”.

Apesar da perspetiva de reservas estar agora em alta, com o regresso de turistas estrangeiros – em primeiro lugar do Reino Unido, mas também de outros mercados como Escandinávia, França ou Alemanha – a Vila Galé mantém expectativas cautelosas em relação aos resultados de 2022, antecipando que ainda possam ficam 10% a 15% abaixo das receitas obtidas em 2019.

“Todas as semanas sentimos as reservas a aumentar, nota-se que há muita vontade de viajar. Mas o ano começou ‘coxo’, os congressos e eventos não vão voltar aos níveis que eram no primeiro semestre, e é preciso contar com algumas entropias, como os autocarros turísticos ou outros circuitos não estarem ainda na totalidade, pelo que contamos que este ano ainda fique abaixo de 2019”, conclui Gonçalo Rebelo de Almeida.