Coronavírus

"Vamos ter todos os concelhos com o mesmo nível de vacinação. Mas não fazemos milagres", adverte Gouveia e Melo

24 junho 2021 13:34

nuno fox

Coordenador do processo de vacinação adianta que até ao final da semana "vai ficar sobre carris" um novo plano em que todas as regiões e concelhos terão uma imunização proporcional, garantindo que "ninguém vai ficar para trás"

24 junho 2021 13:34

O plano nacional de vacinação vai entrar numa nova fase, pondo em marcha um processo em que todas as regiões e concelhos portugueses irão ter uma imunização proporcional, segundo adiantou o vice-almirante Gouveia e Melo esta quinta-feira no Funchal, assinalando o dia em que a Madeira atingiu a fasquia das 200 mil pessoas vacinadas.

"Queremos ter todos os concelhos do país com o mesmo nível de vacinação. Estamos a fazer a análise, já não só por regiões, mas por concelhos", avançou o coordenador do plano nacional de vacinação.

Gouveia e Melo explicou: "o que procurámos fazer numa primeira fase foi proteger as pessoas mais idosas, acima dos 60 anos, mas como a faixa etária das pessoas nas várias regiões não é exatamente igual, houve um desequilíbrio nas percentagens de vacina, e o Algarve ficou prejudicado por ter população mais jovem, quando por exemplo no Alentejo a população é mais idosa".

A meta do vice-almirante é "agora ter toda a gente proporcionalmente vacinada, porque o vírus é oportunista". "Se tivermos regiões com população menos imunizada, aí é que o vírus vai atacar."

"Se vacinarmos mais uma área que outra, o vírus vai procurar a área menos vacinada", explicitou o coordenador, frisando que "não é uma boa estratégia deixar bolsas por vacinar" e que o plano nacional de vacinação, após ter tido o foco nas populações mais vulneráveis, deve prosseguir "de forma equilibrada".

"Na última semana, vacinámos acima de 100 mil pessoas por dia", sublinhou Gouveia e Melo, frisando que não existem milagres. "O milagre que nós podemos fazer é ter a capacidade de administrar a totalidade das vacinas, e isso foi feito." Mas se houver "redução nas entregas, ou limitações de utilização para certo tipo de vacinas, isso tem um impacto imediato na sua utilização".

A prioridade do plano centra-se também em "fazer um reforço nas zonas ultra-periféricas, que têm mais dificuldade e nível de assistência hospitalar, e por isso têm risco acrescido". No caso da Madeira e dos Açores "estamos a vacinar o mais rapidamente possível a população dessas ilhas", adiantou o coordenador.

"Ninguém vai ficar para trás - e ninguém vai também cortar a meta mais cedo", garantiu Gouveia e Melo, lembrando que apesar da "organização militar, e de haver o máximo empenho" o novo processo não se faz "da tarde para a noite".

"Estamos a organizar um processo, que não é imediato", salientou o vice-almirante, referindo-se à análise do processo de vacinação equitativo por regiões e concelhos. "Eu já estou focado no processo, que até ao final da semana vai ficar sobre carris", afiançou.