"Taxa de desemprego é uma incógnita. A realidade é de certeza pior do que os 407 mil inscritos no IEFP", afirma Rui Rio
20.08.2020 às 19h32
Rui Rio apontou o dedo ao Novo Banco no debate do Estado da Nação
Líder do PSD diz que a estatística de desempregados anunciado esta quinta-feira não reflete o número real e só se saberá ao certo quando muitos milhares de trabalhadores em lay-off regressarem ao ativo. Rio antecipa que muitos não voltarão ao mercado de trabalho porque nem todas as empresas irão reabrir
Rui Rio avançou, no Porto, que só lá para novembro se saberá o número efetivo de trabalhadores no desemprego quando terminar o lay-off e tiverem de voltar aos seus postos de trabalho. "A realidade é de certeza pior do que os 407 mil desempregados anunciados”, diz, frisando que “a taxa de desemprego hoje é na prática uma incógnita”. O líder do PSD adianta que o número de pessoas sem emprego “mais ou menos estabilizou face à pandemia”, mas que o resultado será desastroso quando terminar o lay-off.
Para evitar o fecho de muitas empresas e o encerramento de postos de trabalho, Rio defende que Portugal tem de recuperar a economia, avançando que o PSD irá apresentar um programa de relançamento económico até ao final de setembro. Para o presidente social-democrata, a crise económica será ainda mais severa, se surgir a chamada segunda vaga, “embora infelizmente o sobe e desce do surto tenha sido contínuo”.
“Temos de ter um programa sustentado na exportação”, afirma Rio, que garante que não há outra forma de ajudar as pessoas se a economia não recuperar. É, por isso, que está convicto que, tal como já referiu o primeiro-ministro, o país não tem condições para voltar a fechar empresas ou escolas totalmente, mesmo que se confirme uma segunda vaga no inverno.
“Não temos condições para fechar a economia novamente. Temos de ter consciência que Portugal não aguenta com toda a gente em casa, como aconteceu em março. Não havendo produção, as pessoas não consomem, e vamos viver de empréstimos dos outros e a fatura será desastrosa”, assegura, até porque se assim for “não morremos da pandemia, morremos da cura”.
Sendo o turismo uma das áreas mais afetadas pela crise pandémica, Rui Rio refere que muitas das empresas da área não vão aguentar o impacto, mas não concorda com António Costa quando diz que os desempregados deste sector têm de ser mobilizados para o sector social, nomeadamente para os lares. “É evidente que tem de haver reconversão profissional, não digo que para o sector social mas para onde haja procura de mão de obra”, afirma, advertindo que a situação dos lares é conjuntural e a requalificação profissional tem de ser encarada de forma estrutural.
“No futuro não haverá empregos para a vida como no meu tempo. A economia é cada vez mais dinâmica e os jovens vão ter de se reinventar muitas vezes ao longo da vida”, sentencia.
Racismo: Rio só volta à questão quando acabar a gritaria
Questionado sobre as teias socialistas em Reguengos, alega que o que sabe é o que lhe tem sido transmitido pelas estruturas locais do PSD de Évora e Beja e que apontam que os socialistas “estão em todo o lado, na Câmara, nos lares e nas misericórdias e não é natural que assim seja”. Rio recusa, contudo, pronunciar-se sobre a ministra da Segurança Social, lembrando que o PSD chamou Ana Mendes Godinho ao Parlamento e que irá tirar conclusões políticas em função das resposta que der.
Rio também se escusou a comentar se mantém que não há racismo em Portugal. “Já falei sobre isso e neste momento não há ambiente para se falar sobre o tema de forma sensata”, salienta, mas avança que falará com ponderação quando acabar “a gritaria”.