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Expresso

Coronavírus

Covid. 17 estados processam Administração Trump por lei que revoga vistos de estudantes estrangeiros que tenham apenas aulas online

13.07.2020 às 19h19

Joe Raedle/Getty Images

Várias universidades, colégios e outras instituições com alunos internacionais já começaram a tentar garantir aulas presenciais pelo menos aos seus alunos internacionais para que o visto não tenha razão legal para ser negado

Há mais um processo em tribunal contra a Administração de Donald Trump, desta vez em protesto contra a nova regra que visa revogar os vistos de estudante de todos aqueles que frequentem cursos em universidades que não têm aulas presenciais disponíveis por causa da pandemia.

São 17 os estados norte-americanos (e mais o distrito de Columbia) que assinam o caso contra o Governo e exigem que o Presidente volte atrás com esta imposição e, juntos, representam 1124 instituições de ensino e um total de 373 mil estudantes internacionais, segundo a queixa apresentada em tribunal à qual o “New York Times” teve acesso. No total, há mais de um milhão de estudantes internacionais nos Estados Unidos. Só em 2019, o Departamento de Estado emitiu mais de 398 mil vistos “académicos e vocacionais”.

“A Administração Trump nem sequer tentou explicar as razões para esta decisão sem sentido, que força as universidades a escolher entre reter os seus estudantes internacionais ou pôr em risco a saúde e segurança de todos os que frequentem as instituições”, disse Maura Healey, procuradora-geral do estado Massachusetts no comunicado divulgado pelos meios de comunicação norte-americanos em que é anunciado o início dos procedimentos legais.

O processo foi alojado no Tribunal de Boston e é apenas o último esforço de várias entidades para parar esta medida, anunciada há uma semana. O estado da Califórnia já tinha apresentado o seu próprio caso, tal como as universidades de Harvard e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

Os críticos de Trump argumentam que esta medida é apenas uma forma de forçar as universidades a abrir de novo, já que o Presidente dos Estados Unidos não concorda com a maioria das medidas de confinamento que estão a atrofiar a economia norte-americana, mas a diretora de comunicação da Casa Branca, Kayleigh McEnany, defendeu a medida, em resposta às perguntas dos jornalistas, na segunda-feira passada, quando o plano foi revelado: “Ninguém tem visto de estudante se tiver aulas online de qualquer universidade, vamos dizer, da Universidade de Phoenix, por isso por que razão haveria de haver vistos para aulas online no geral? Talvez um processo legal mais justo fosse um dos estudantes contra as universidades que se recusam a oferecer as aulas presenciais pelas quais eles pagaram propinas completas”.

Por causa desta ameaça, milhares de estudantes têm procurado inscrever-se em aulas presenciais que nem todas as universidades oferecem. A insegurança e ansiedade estão a tomar conta de muitos alunos internacionais.

O canal de televisão CNBC falou com vários estudantes, todos sob total anonimato por causa do seu estatuto repentinamente volátil, que elencam algumas das dificuldades que teriam em regressar a casa - as fronteiras estão fechadas em muitos países e mesmo que estejam abertas para residentes são voos caros, raros. "Atualmente estou nos Estados Unidos e preciso de voltar para casa, em Bombaim. Os lugares nos voos da missão de resgate a 13 de julho estão esgotados, o que dificulta o meu regresso", disse uma estudante da Faculdade de Design da Universidade de Harvard. Um outro aluno, de Trinidad e Tobago, refere que neste momento “não existem voos de repatriamento marcados” e que, se vierem a existir, ele já vai estar “a meio do semestre”, o que provocaria uma interrupção dos estudos.

A estudante de Harvard, uma universidade que apenas vai disponibilizar aulas online para já, disse também que a decisão do governo, no seu entender, coloca em risco as vidas de milhares de pessoas: “Parece que o governo nos está a obrigar a enfrentar perigos. Além disto, isto colocaria também outras pessoas em risco se um milhão de estudantes for forçado a correr para vários aeroportos quase ao mesmo tempo”.

Muitos pensam nos países menos desenvolvidos de onde chegaram, onde nem a luz é um dado adquirido, quando mais a internet. Uma outra estudante, venezuelana, disse ao site de notícias Buzzfeed ser “impossível” regressar a um país como a Venezuela nesta altura. Na sua casa falta luz o tempo todo. “Os meus pais só têm 45 minutos de água corrente por dia.”

Várias universidades, colégios e outras instituições com alunos internacionais já começaram a tentar garantir aulas presenciais pelo menos aos seus alunos internacionais para que o visto não tenha razão legal para ser negado.