Coronavírus

Covid-19. 32 migrantes infetados vão sair da Ota e continuar a ser acompanhados pelas autoridades

20 maio 2020 14:54

A 20 de abril, 171 cidadãos estrangeiros foram retirados das condições de sobrelotação em que viviam no hostel Aykibom, em Lisboa

tiago miranda

Base Aérea da Ota recebeu 171 dos cidadãos estrangeiros que estavam em hostel de Lisboa sobrelotado. Muitos já saíram do local e esta quarta-feira saem mais 32: todos ainda casos positivos de covid-19. Em Loures, dos cinco doentes há dois dados como curados

20 maio 2020 14:54

Há mais 32 refugiados e requerentes de asilo que vão abandonar a Base Aérea da Ota, em Alenquer, para onde um grupo de 171 migrantes foi transferido após terem sido detetadas as condições de sobrelotação em que viviam no hostel Aykibom!, em Arroios, Lisboa. Entre os cidadãos estrangeiros na altura identificados havia pelo menos 138 casos positivos de covid-19. No dia 20 de abril, 171 iniciaram um período de quarentena na Ota.

A base militar tem vindo a ser abandonada aos poucos por estes migrantes alguns já com o estatuto de refugiados, outros à espera de aprovação ou de resultado de recurso , como aconteceu na semana passada, a 14 de maio, com a saída de 52 pessoas que apresentavam testes negativos. Pelo contrário, desta vez os 32 cidadãos que vão ser transferidos ainda não foram dados como curados. São casos positivos cujo acompanhamento poderá ser feito a partir desta quarta-feira por diferentes entidades, como até aqui tem acontecido, confirma ao Expresso a Secretaria de Estado das Migrações.

Entre elas está a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), que também na semana passada recebeu um grupo vindo da Ota de cinco migrantes infetados com o SARS-CoV-2. Os cinco ficaram a viver na Casa das Marés, em Loures, em isolamento social, interrompido no passado domingo por um deles, numa ida ao supermercado.

Intercetado pela polícia, que foi chamada ao local, o homem em causa, que levava equipamento de proteção como máscara, luvas e outros acessórios, não ofereceu resistência, segundo o comunicado da PSP, e foi encaminhado de volta para a Casa das Marés. O mesmo comunicado diz ainda que um grupo de “cerca de duas dezenas de populares” protestou à porta da residência, uma vez que o mesmo homem tinha já sido avistado no dia anterior. À polícia alegou ter fome.

Do grupo de cinco homens, o Expresso sabe que há dois dados como curados. Ambos serão encaminhados esta quarta-feira para uma outra residência, em Lisboa, evitando assim o contacto com os outros três doentes. Quanto a esses, vão ser igualmente transferidos pela SCML, com moldes ainda por definir e em articulação com outras entidades, como a Secretaria de Estado para as Migrações.