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Expresso

Coronavírus

Dez dias para testar 11 milhões de pessoas - o plano para controlar novo surto de covid-19 em Wuhan

13.05.2020 às 13h39

HECTOR RETAMAL/Getty

Depois de 35 dias sem qualquer positivo, seis novos casos de covid-19 deixaram Wuhan em sobressalto. O plano é testar em massa, mas subsistem dúvidas sobre a capacidade de testar tantos milhões em tão pouco tempo

Em Wuhan, não se dá um milímetro ao vírus. Depois de se confirmar um pequeno foco de seis positivos durante o fim de semana na cidade chinesa em que se registaram os primeiros casos oficiais da covid-19, as autoridades locais prepararam um musculado plano de ataque. De acordo com um plano de emergência da cidade ao qual o portal de notícias "The Paper", financiado pelo estado chinês, teve acesso, Wuhan quer uma "batalha de 10 dias" em que serão testados os seus 11 milhões de habitantes.

Wuhan, que enfrentou um estrito confinamento de 11 semanas, começou a reabrir escolas, transportes públicos, lojas e indústrias a partir de 3 de abril, mas o aparecimento destes seis casos - os primeiros em 35 dias -, todos com origem no mesmo complexo residencial e não importados, deixou a cidade em alerta. Cinco dos habitantes que testaram positivo estão assintomáticos.

De acordo com o documento, cada distrito da cidade terá a responsabilidade de gerir o rastreio e os idosos e pessoas que vivam em comunidades mais densamente povoadas deverão ter prioridade na hora de serem testados.

Contudo, há dúvidas que o plano seja exequível. O "Global Times" diz que a capacidade de testes da cidade estará neste momento entre os 6 a 8 milhões em 10 dias e que os custos de tal operação serão "enormes". Peng Zhiyong, diretor da unidade de unidade de cuidados intensivos do Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan, acredita que os testes deveriam ser canalizados para pessoal médico, grupos de risco e todos aqueles que tiveram contacto direto com os casos positivos.

Os números de novas infeções na China têm decrescido, mas pequenos focos de novos casos no país estão a repetir-se, com respostas fortes por parte da administração. A preocupação maior está agora na zona nordeste do país, na fronteira com a Rússia, onde a covid-19 está a crescer exponencialmente. Esta semana, a cidade de Shulan, na província de Jilin, a 400 quilómetros de Vladivostok, entrou de novo em quarentena depois do aparecimento de 11 novos casos.