Coronavírus

Exposição a “luz forte” ou mesmo injetar soluções com base desinfetante. Donald Trump volta a chocar cientistas em todo o mundo

24 abril 2020 11:08

jonathan ernst/reuters

Um estudo apresentado na quinta-feira na Casa Branca parece reforçar que a exposição à luz solar ou ao calor enfraquece o vírus - e que a lixívia e outros químicos como o álcool isopropílico são rápidos a eliminá-lo. Donald Trump sugeriu então que se testasse a possibilidade de injetar ou “limpar” o corpo humano com esse tipo de soluções abrasivas

24 abril 2020 11:08

Donald Trump está a ser alvo de mais uma onda de escárnio misturado com protesto por parte dos médicos e cientistas que continuam a lutar contra a propagação do vírus - e a tentar encontrar uma vacina para que tudo posso voltar ao normal.

Na quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos foi chamado a comentar um estudo que parece tecer uma ligação entre a existência de calor ou luz solar e o enfraquecimento do vírus e acabou por sugerir que a exposição do corpo humano a luzes fortes podia ser uma linha de investigação válida. “Atingimos o corpo com uma enorme intensidade de luz, seja ultravioleta ou uma outra luz muito poderosa. Isso ainda não foi testado”, disse Trump.

O coronavírus não dura tanto tempo nas maçanetas das portas e outras superfícies não porosas quando exposto à luz solar, temperaturas e humidades mais altas, de acordo com este novo estudo. "Com estas condições, reparamos que o vírus morre muito mais rapidamente” disse Bill Bryan, do Departamento de Segurança Interna, numa conferência de imprensa esta quinta-feira.

Nesse mesmo estudo, conduzido pela equipa de cientistas e profissionais de saúde que está a liderar os esforços de combate ao novo coronavírus em nome da Casa Branca, os dados mostram que a lixívia pode matá-lo em cinco minutos e o álcool isopropílico em menos tempo ainda. “Vejo que um desinfetante é capaz de matar o vírus num minuto. Um minuto. Haverá alguma forma de estudarmos a possibilidade de injetar desinfetante numa pessoa ou fazer uma espécie de limpeza”, perguntou Trump durante a conferência de imprensa diária sobre a covid-19. “Eu não sou médico mas sou uma pessoa que tem aquele factor, assim, vocês sabem o que é”, acrescentou o Presidente, num tom um pouco críptico.

A resposta da comunidade médica foi quase imediata. Alguns profissionais foram bastante diretos nas analogias. “Normalmente beber desinfectante é o que as pessoas que querem suicidar-se fazem”, disse o pneumologista Vin Gupta à NBC, acrescentando que “a noção de que se possa curar uma doença injetando ou ingerindo qualquer produto de limpeza que seja é irresponsável e muito perigoso”.

À Bloomberg, um outro médico especialista em doenças pulmonares no San Francisco General Hospital disse que “até o simples facto de inalar lixívia pode causar sérios problemas de saúde”. John Balmes considerou as ideias de Trump como “absolutamente ridículas” e reforçou que nem sequer versões diluídas daqueles produtos podem ser consideradas seguras mesmo para questões de limpeza em casa, porque “as nossas vias respiratórias não estão preparadas para suportar os vapores que emanam” desses produtos.