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Coronavírus

Covid deixa mais de 4 mil cancros por diagnosticar

24.04.2020 às 23h00

Cuidados de saúde não urgentes estão parados há mais de um mês. Só em exames de diagnóstico, 20 milhões ficaram por fazer. Governo promete retomar a atividade programada nos próximos dias, mas o regresso à normalidade ainda vai demorar

Camilo Freedman/APHOTOGRAFIA/Getty Images

A pandemia mantém o Sistema Nacional de Saúde fechado aos cuidados não urgentes há mais de um mês e os efeitos adversos vão surgir. Sensível à demora, a oncologia é das áreas mais afetadas. Os prestadores garantem que ficaram por fazer 20 milhões de atos, a maioria exames de diagnóstico e análises clínicas, e a Liga Portuguesa Contra o Cancro parou os 30 mil rastreios mensais a tumores. O prognóstico não é bom: mais de quatro mil pessoas estarão com cancro sem saber.

A estimativa sobre a ausência de diagnósticos de doença oncológica é feita pela Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG). Com base nos dados mais recentes do Globocan, o observatório de cancro da Organização Mundial da Saúde, os especialistas admitem que o primeiro mês de suspensão desta atividade terá impedido, no total, o diagnóstico de 4849 novas neoplasias. Entre elas, 856 colorretais, 581 da mama, 551 da próstata, 440 do pulmão, 240 do estômago ou 135 do pâncreas.

A ministra da Saúde afirma que o SNS vai reativar os cuidados programados, suspensos a 16 de março, mas ainda não explicou como. O Expresso tentou saber qual é a estratégia, mas não teve resposta.

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