50 Anos, 50 Restaurantes

1998: da Torre T ao premiado restaurante Fifty Seconds, uma viagem nas alturas

19 janeiro 2023 10:34

Fifty Seconds by Martín Berasategui funciona no topo da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa

francisco nogueira

A convite da administração da Expo'98, José Manuel Trigo deu vida, em apenas dois meses, ao principal restaurante da exposição mundial que influenciou o destino de Lisboa. A 120 metros de altura, nem vertigens nem vidros partidos por gruas impediram que a Torre T - Restaurante Panorâmico da Torre Vasco da Gama abrisse e recebesse os líderes mundiais em 1998. Vinte anos depois, o restaurante reabriu como Fifty Seconds by Martín Berasategui, integrado na oferta do hotel Myriad by SANA. A panorâmica é única e, em breve, a Torre Vasco da Gama vai ter novos motivos para estar mais perto do céu: o rooftop Babylon. Todas as semanas, para comemorar os 50 anos do Expresso, fazemos uma viagem no tempo, com apoio do Recheio, para relembrar 50 restaurantes que marcaram as últimas décadas em Portugal

19 janeiro 2023 10:34

1 / 37
Inauguração da Expo'98
1 / 37

Inauguração da Expo'98

expresso / rui ochôa

2 / 37
Abertura oficial da Expo'98
2 / 37

Abertura oficial da Expo'98

expresso / alberto frias

3 / 37
O restaurante iluminado na abertura da Expo'98
3 / 37

O restaurante iluminado na abertura da Expo'98

expresso / luís filipe catarino

4 / 37
Fifty Seconds by Martín Berasategui funciona no topo da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa
4 / 37

Fifty Seconds by Martín Berasategui funciona no topo da Torre Vasco da Gama, no Parque das Nações, em Lisboa

francisco nogueira

5 / 37
Fotografia antiga da Torre T publicada na revista T Imagens
5 / 37

Fotografia antiga da Torre T publicada na revista T Imagens

6 / 37
O empresário José Manuel Trigo
6 / 37

O empresário José Manuel Trigo

7 / 37
O comissário da Expo'98, António Mega Ferreira no restaurante
7 / 37

O comissário da Expo'98, António Mega Ferreira no restaurante

8 / 37
João de Deus Pinheiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeirosna antiga Torre
8 / 37

João de Deus Pinheiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeirosna antiga Torre

9 / 37
O costureiro António Augustus na Torre T de José Manuel Trigo
9 / 37

O costureiro António Augustus na Torre T de José Manuel Trigo

10 / 37
Ementa antiga da Torre T, que marcou a inauguração da Expo'98
10 / 37

Ementa antiga da Torre T, que marcou a inauguração da Expo'98

11 / 37
Revista T Imagens, em 1998, fez capa com a Torre T - Restaurante Panorâmico da Torre Vasco da Gama
11 / 37

Revista T Imagens, em 1998, fez capa com a Torre T - Restaurante Panorâmico da Torre Vasco da Gama

12 / 37
Sala do restaurante no topo da Torre Vasco da Gama
12 / 37

Sala do restaurante no topo da Torre Vasco da Gama

13 / 37
Torre T na revista T Imagens, em 1998
13 / 37

Torre T na revista T Imagens, em 1998

14 / 37
Espaço do Fifty Seconds em 2016, ainda antes da abertura
14 / 37

Espaço do Fifty Seconds em 2016, ainda antes da abertura

15 / 37
15 / 37

16 / 37
Arquitetura marcante da Torre Vasco da Gama
16 / 37

Arquitetura marcante da Torre Vasco da Gama

17 / 37
Myriad by SANA e Torre Vasco da Gama, à beira-rio
17 / 37

Myriad by SANA e Torre Vasco da Gama, à beira-rio

18 / 37
Chef Martín Berasategui
18 / 37

Chef Martín Berasategui

19 / 37
Cozinha atarefada do Fifty Seconds com o pôr do sol ao fundo
19 / 37

Cozinha atarefada do Fifty Seconds com o pôr do sol ao fundo

20 / 37
Carabineiro grelhado, caviar Oscietra, alho negro, puré de limão Meyer
20 / 37

Carabineiro grelhado, caviar Oscietra, alho negro, puré de limão Meyer

21 / 37
Fifty Seconds by Martín Berasategui
21 / 37

Fifty Seconds by Martín Berasategui

22 / 37
Filipe Carvalho e Martín Berasategui
22 / 37

Filipe Carvalho e Martín Berasategui

vítor duarte

23 / 37
Creme de manjericão com presunto Ibérico, cannelloni de rabo de porco e tortellini de beringela
23 / 37

Creme de manjericão com presunto Ibérico, cannelloni de rabo de porco e tortellini de beringela

24 / 37
Fifty Seconds by Martín Berasategui
24 / 37

Fifty Seconds by Martín Berasategui

25 / 37
Equipa de sala do Fifty Seconds by Martín Berasategui
25 / 37

Equipa de sala do Fifty Seconds by Martín Berasategui

26 / 37
Serviço atento no Fifty Seconds by Martín Berasategui
26 / 37

Serviço atento no Fifty Seconds by Martín Berasategui

27 / 37
Equipa de cozinha do Fifty Seconds by Martín Berasategui
27 / 37

Equipa de cozinha do Fifty Seconds by Martín Berasategui

28 / 37
Maria Gonçalves, responsável de pastelaria do restaurante
28 / 37

Maria Gonçalves, responsável de pastelaria do restaurante

29 / 37
Vigias dos navios inspiraram alguns elementos decorativos
29 / 37

Vigias dos navios inspiraram alguns elementos decorativos

30 / 37
Sommelier Marc Pinto
30 / 37

Sommelier Marc Pinto

31 / 37
Myriad by SANA e Torre Vasco da Gama, à beira rio
31 / 37

Myriad by SANA e Torre Vasco da Gama, à beira rio

gustavo ramos

32 / 37
Em preparação, o novo Vasco da Gama Tower Babylon 360°
32 / 37

Em preparação, o novo Vasco da Gama Tower Babylon 360°

33 / 37
Construção do Vasco da Gama Tower Babylon 360°
33 / 37

Construção do Vasco da Gama Tower Babylon 360°

34 / 37
Vista sobre o Parque das Nações e o rio Tejo
34 / 37

Vista sobre o Parque das Nações e o rio Tejo

35 / 37
Myriad by SANA vira-se para o rio
35 / 37

Myriad by SANA vira-se para o rio

36 / 37
Piano vermelho do Myriad by SANA é assinado por Elton John
36 / 37

Piano vermelho do Myriad by SANA é assinado por Elton John

37 / 37
Alojamentos modernos do Myriad by SANA
37 / 37

Alojamentos modernos do Myriad by SANA

Dois meses antes da inauguração da Exposição Mundial de Lisboa, José Manuel Trigo foi contactado pela administração da Expo'98. Desafiaram o empresário a conceber e explorar o restaurante principal do evento, no topo da Torre Vasco da Gama, no agora Parque das Nações. Conhecido pelo sucesso de espaços como o T Club, na Quinta do Lago, José Manuel Trigo foi apanhado de surpresa. Pediu uns dias para responder e, mal saiu da reunião, ligou ao arquiteto que fizera o T Club do Espelho d'Água, na capital: “Pega num avião e vem já para Lisboa, temos de inventar um restaurante em dois meses”. Após um périplo por Barcelona, Porto e a região Norte, descobriram um lojista galego que garantiu a entrega da mobília dez dias antes da abertura.

Torre T na revista T Imagens, em 1998

Torre T na revista T Imagens, em 1998

À data combinada, dois camiões TIR descarregaram o material na Expo, mas, para esse restaurante nascer a 120 metros de altura, foi preciso 'driblar' vertigens. No início, acedia-se pelo elevador de obra, “aberto e em ferro”. “Quando me metem dentro daquilo, ia uma administradora simpática, de tacão alto e impecável. Começo a suar em bica e, quando chego lá em cima, o elevador estava a uns 20 metros da torre, ou seja, ainda tinha de passar por umas pranchas de ferro com barras à direita e à esquerda. Cheguei ao outro lado, o problema era voltar para trás... Não queria dar parte fraca, mas quando dei uns passos ia desmaiando e sentiram que eu estava a vacilar. Vim então ensanduichado entre duas pessoas, que me encaminharam, e lá consegui”, recorda José Manuel Trigo. Noutra ocasião, ao desmontarem um guindaste, uma “rabanada de vento fez com que a grua batesse num ou dois vidros do restaurante e os partisse. Eu estava na sala e tive a sensação que ia ser sugado pela abertura. Deitei-me no chão, como uma lapa, respirei fundo e as coisas começaram a passar”, recorda o empresário.

O empresário José Manuel Trigo

O empresário José Manuel Trigo

A Exposição Mundial de Lisboa arrancou a 22 de maio de 1998 e a Torre T - Restaurante Panorâmico da Torre Vasco da Gama abriu na véspera com um jantar em que esteve presente o Presidente da República, Jorge Sampaio. Lá em baixo, ainda se terminavam “as calçadas de acesso...”. O espaço era moderno: tinha cadeiras de cores diferentes, mesas com marcadores em latão embutidos em desenhos na madeira, bar com uma 'aranha' de pendurar os copos, chão em carvalho, colunas douradas e o teto azul escuro, com pontos de luz em fibra ótica que, à noite, davam a sensação “de se ter um céu infinito à frente”. Faziam-se milagres para servir centenas de refeições diárias com uma “cozinha de submarino, uma coisa mínima de dez a 12 metros quadrados”. Só era possível com o apoio da cozinha do T Club do Espelho d'Água, onde se fazia a mise en place dos ingredientes. Até às 7h00 tinha que se abastecer a Torre T, onde se terminavam os pratos. “Era uma logística feita de madrugada, uma operação engraçada mas muito stressante”, admite José Manuel Trigo.

João de Deus Pinheiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeirosna antiga Torre

João de Deus Pinheiro, ex-ministro dos Negócios Estrangeirosna antiga Torre

O menu era sintético e a “cozinha excelente: sem complicações e elegante”, apontava a revista T Imagens, em 1998. “Muito avançada” para a altura, a gastronomia seria “bem empratada, cuidada”, conforme à exigência da organização. A Torre T “foi o restaurante mais importante da Expo” e por lá passaram os reis de Espanha e da Bélgica e os chefes de Estado dos países participantes. Xanana Gusmão, Mário Soares, Ramalho Eanes, Jaime Gama, Almeida Santos, Maria Bethânia, a Duquesa de Alba, que elogiou as Almofadinhas de bacalhau com arroz de amêijoas, Fernando Henrique Cardoso, António Augustus, Joaquim Chissano, José Carreras, Michael Nyman, António Sousa Franco, Marcelo Rebelo de Sousa, Herman José e Nuno Gama foram alguns notáveis a assinar o livro de honra. No menu constaram pratos como uma Terrina de fígados de ganso, Lagosta gratinada com molho de açafrão das Índias e um Bife “Rota das Especiarias”.

Myriad by SANA e Torre Vasco da Gama, à beira-rio

Myriad by SANA e Torre Vasco da Gama, à beira-rio

A Chegada do grupo SANA

O espaço onde funcionou o restaurante foi, anos mais tarde, adquirido pelo grupo hoteleiro SANA, que em 2012 abriu o Myriad by SANA, “anexo” à Torre Vasco da Gama. A unidade de cinco estrelas “apresentou um novo conceito para assinar hotéis que não se repetem”, devido à “arquitetura e localização única”, explica Pedro Miguel Ramos, diretor de comunicação do grupo hoteleiro. Em qualquer parte da unidade, incluindo nos 186 alojamentos e spa, “consegue-se sempre ver o rio Tejo” e a arquitetura arrojada captou a atenção de curiosos e aficionados da fotografia, realça o diretor-geral do Myriad, Marco Pinto Moura. Digna de registo é também a vista para a Ponte Vasco da Gama, os funiculares e, no lobby, o piano vermelho autografado por Elton John e uma peça de madeira que se acredita ter sido recuperada de um naufrágio.

Filipe Carvalho e Martín Berasategui

Filipe Carvalho e Martín Berasategui

vítor duarte

Em novembro de 2018, vinte anos depois de inaugurar a Torre T, o grupo SANA abre a porta do restaurante Fifty Seconds by Martín Berasategui, com a assinatura gastronómica de um dos melhores chefs de cozinha do mundo. Berasategui veio reforçar uma “forte aposta na qualidade das marcas e F&B SANA, apostando em conceitos exclusivos, com produtos de extrema qualidade e serviço”. O objetivo era fazer um projeto “diferente, especial e desenhado para o mundo”. Hoje com 12 estrelas Michelin no currículo, Martín “é uma rock star, o terceiro chef com mais estrelas no mundo e, tê-lo connosco em exclusividade para Portugal, foi incrível”, sublinha Pedro Miguel Ramos. Para Berasategui, o nosso país “ilusiona e contagia”. “O comportamento de Portugal não podia ser mais exemplar. É um país especial, há que o viver e aproveitar ao máximo. Tem cozinha e gente com alegria, paixão e entusiasmo. Portugal e Lisboa mostraram-me o caminho da paixão, a gastronomia portuguesa revela esforço e credibilidade. O país tem muito a dizer na cozinha e eu vou dar tudo o que tenho, com as minhas grandes equipas, para transmitir emoções diferentes a todas as pessoas que entrarem no Fifty Seconds”, garante Berasategui ao Boa Cama Boa Mesa.

Fifty Seconds by Martín Berasategui

Fifty Seconds by Martín Berasategui

Desde o restaurante Lasarte, em Barcelona, transitaram o agora chef executivo do Fifty Seconds, Filipe Carvalho, a responsável pela pastelaria Maria Gonçalves e o head sommelier Marc Pinto. Integram “un equipazo metódico, disciplinado e sensível” de inconformistas, que se conhecem há muito tempo. Consciente do esforço necessário para a excelência, Filipe Carvalho lembra, porém, que o investimento do grupo teve o objetivo “muito claro de um dia poder vir a ser um 3 estrelas Michelin”. A ambição fortaleceu-se com a conquista da primeira estrela Michelin, em 2019. A segunda exige “tempo, qualidade e consistência”. Ainda em 2019, o restaurante conquista o primeiro Garfo de Prata atribuído pelo guia Boa Cama Boa Mesa. Em 2022 é distinguido com um Garfo de Ouro.

Carabineiro grelhado, caviar Oscietra, alho negro, puré de limão Meyer

Carabineiro grelhado, caviar Oscietra, alho negro, puré de limão Meyer

A modernidade e a gastronomia

Entra-se no elevador e, segundo o grupo SANA, passam 50 segundos até a porta revelar uma antecâmara e o “admirável mundo novo” da sala de refeições. Completamente envidraçada, dá a sensação de “planar” sobre um horizonte de água sem fim. Dez mesas posicionam-se estrategicamente diante do rio Tejo, da Ponte Vasco da Gama e do Parque das Nações. O projeto de interiores compõe uma atmosfera contemporânea e requintada. Grande parte dos elementos, da garrafeira à alcatifa (os motivos são quase uma extensão da vista), mesas e cadeiras, bandejas e o balde de gelo, vigias de navios e iluminação, concebeu-se em exclusivo para o Fifty Seconds. A equipa de Martín participou no desenho do conceito e do projeto, incluindo no esquema da cozinha e dos equipamentos – os módulos fabricados perto de Veneza -, ajudando o arquiteto Nuno Rodrigues a pensar este espaço de fine dining ao detalhe. Dividiram-no a meio, entre cozinha e sala, porque “não vale a pena ter um Ferrari com motor de Fiat”, ilustra Filipe Carvalho.

Fifty Seconds by Martín Berasategui

Fifty Seconds by Martín Berasategui

É num cenário de sonho que brilha a inspirada cozinha destes criativos. “O Filipe, a Maria e a equipa têm um talento inato. São cozinheiros únicos e grandes amigos. Vamos tentar dar tudo o que temos dentro, com toda a força que nos caracteriza, estamos a trabalhar com muita personalidade e garra. A cozinha portuguesa vive uma época de ouro, fez-se um trabalho impressionante”, sublinha o multipremiado chef espanhol. Além de pedir à carta, o cliente pode aventurar-se no Menu Fifty Seconds (€195) ou no Menu Degustação (€220), aos quais se pode acrescentar uma harmonização vínica. Há pratos de assinatura presentes noutros restaurantes de Martín, como o clássico “Mil-folhas caramelizado de foie gras, maçã verde e enguia” fumada, ou a “Salada de verduras, ervas e pétalas” (€48), com puré de alface e aqui com gamba vermelha do Algarve, “muito interessante visualmente e disponível à carta”, comenta Filipe Carvalho.

Outros pratos, desenvolvidos pela equipa em Lisboa, são muito procurados, como o “Arroz cremoso de tomate, lavagante azul, beurre blanc de cogumelos silvestres e emulsão de champagne” (€95), o “Carabineiro grelhado, alho negro e puré de limão”, a “Vieira corada, creme de couve flor e cebolinho, espuma de manteiga noisette e vinagre de xerez e caviar Oscietra”, e o “Creme de manjericão e presunto ibérico, lagostim e tortellini de beringela fumada”. O “Borrego de leite com soro de parmesão, cogumelos silvestres e puré de beringela fumada”, dá lugar à caça no outono. Berasategui “ficou surpreendido” com o potencial de muitos produtos portugueses, como os peixes e mariscos da nossa costa. De Aveiro, onde nasceu Filipe, chegam a amêijoas, berbigão, lingueirão e as ostras. A nível nacional, as carnes “Jacinto” asseguram a “qualidade e consistência”.

Serviço atento no Fifty Seconds by Martín Berasategui

Serviço atento no Fifty Seconds by Martín Berasategui

De Espanha vêm o borrego e os enchidos, de Itália a trufa branca, e de França (e Espanha) a trufa negra, caviar e pombo, da Noruega a vieira. “Queremos ter o melhor produto possível. Damos preferência ao nacional, mas se não for, vamos onde tivermos de ir para o ter aqui. Privilegiamos muito o sabor, prefiro perder muito tempo a fazer um molho a perder muito tempo a fazer um crocante”, explica Filipe Carvalho. Martín prova todos os pratos e, se preciso, acrescenta-lhes qualidade. “Diz para melhorar aqui ou ali e nós vamos encontrando o nosso fio condutor”, diz o chef executivo. Dá “sempre margem” para a equipa espelhar a personalidade e identidade e destaca algumas “homenagens a Portugal”, como na “Brandade de bacalhau com maionese de manzanilla e yuzu” ou no “Lombo de novilho assado na brasa”. Imperdível é o “Jalapeño, gelado de alcaçuz e maionese de pepino”.

As sobremesas são o mundo de Maria Gonçalves. Aqui também se serve um clássico de Martín, a “Torrija caramelizada e gelado de café”. O “Bolo de chocolate quente” (€25) também nunca saiu da carta e depois há as pré-sobremesas, por norma “mais frescas e sempre à base de fruta, para quebrar o peso da refeição e preparar o cliente para o que vem a seguir”, refere Maria Gonçalves. A chef de pastelaria tenta moderar no açúcar, preferindo pratos mais leves e frescos para “deixar o cliente respirar”.

Sommelier Marc Pinto

Sommelier Marc Pinto

O head sommelier, Marc Pinto, evita harmonizações com as pré-sobremesas precisamente devido à frescura, alta componente de fruta e acidez natural: tem a sensação de “retirar algo à sobremesa”, em vez de a complementar. Por vezes há criações mais arrojadas, como uma antiga desconstrução do Gin, com pepino, maçã e geleia de gin. Um novo doce é dado a provar ao chefe, às equipas de cozinha e de sala e só entra na carta “quando todas as 20 e tal pessoas que trabalham aqui disserem que é uma sobremesa que pode funcionar”. “Eu gosto de romã e sempre quis trabalhar um doce à base de romã. Não é um fruto muito consensual, mas marcava-me pela minha infância e tentei juntar sabores. Foi uma luta, mas chegámos lá, e ainda temos clientes a virem perguntar pela romã... Recentemente, introduzimos uma pré-sobremesa à base de abacaxi, caramelo de miso, alecrim e pimenta timut. O chef considerava que os sabores faziam sentido, mas tive de lutar por ela. Não estava a conseguir, parei um mês ou dois, e voltei à carga com mais testes, e mais testes, até chegar ao consenso das tais 20 e tal pessoas”, descreve Maria.

Sala do restaurante no topo da Torre Vasco da Gama

Sala do restaurante no topo da Torre Vasco da Gama

Serviço de vinhos

Em quase todas as grandes harmonizações de comida e vinhos que se recorda, Marc Pinto diz que existiu “um depósito de confiança” no trabalho do sommelier, que se ajusta ao perfil de quem tem à frente. A bebida “será sempre um complemento” à comida e, se dez por cento, dos clientes voltarem porque os vinhos estão à altura, ou porque a bebida os deixou a pensar, Marc fica “muito emocionado e feliz” e já dorme de cabeça tranquila. Quando o menu está a ser construído, começa a imaginar vinhos possíveis para os pratos, mas também já aconteceu o chef substituir um ingrediente, como uma amêijoa que provocava um contraste não ideal, para o prato casar melhor com um vinho específico. “Existe esse respeito para com o chef, por ter cedido num detalhe para se apresentar um vinho, e a equipa fica com um orgulho enorme”, conta Marc Pinto. Gere uma garrafeira com 850 referências, sobretudo nacionais e de quase todo o país, embora inclua vinhos do mundo e uma gama “muito forte” de champanhes.

Creme de manjericão com presunto Ibérico, cannelloni de rabo de porco e tortellini de beringela

Creme de manjericão com presunto Ibérico, cannelloni de rabo de porco e tortellini de beringela

Um bom serviço de vinhos não deve, por um lado, “tirar o tapete” a clientes que apreciam vinhos de regiões com alguma força, como o Douro ou o Alentejo, mas também tem a ganhar mostrando produtores menos conhecidos e raridades, vinhos Madeira ou do Porto mais exclusivos, se houver margem para recomendações. Deve também perceber quando a sugestão desagrada... “Se conseguirmos substituir a tempo e perceber onde devemos balizar os vinhos, ou qual a harmonia perfeita para aquele cliente, isso faz a diferença”. Muitas vezes, Marc desce ao armazém de vinhos por baixo do hotel para encontrar a referência perfeita. “Por sorte tenho uma equipa que está ao meu lado. Se disser que preciso de tempo, eles têm de travar o serviço em relação à cozinha. Às vezes, procuram algo para oferecer ao cliente e distraí-lo um pouco com um vinho diferente do que vai harmonizar, de forma a que não se apercebam que estão à espera, enquanto alguém foi a correr buscar o vinho certo. Não é trabalhar para o ego, é por acharmos que aquilo é que vai mesmo fazer sentido e o cliente vai sair satisfeito. Queremos marcar a diferença”, conta o head-sommelier. A propósito das viagens de elevador, o chefe de sala Rui Monteiro já teve de acompanhar clientes ao solo por não conseguirem descer sozinhos. “Há quem venha a rir-se, outros a suar. Por duas vezes, chegaram cá acima e pediram para descer. Um deles desceu e pediu para reservar na passagem de ano, dizendo que vinha com a mulher e, com ela, não tinha medo de nada”, revela.

Em preparação, o novo Vasco da Gama Tower Babylon 360°

Em preparação, o novo Vasco da Gama Tower Babylon 360°

Novidade: Vasco da Gama Tower Babylon 360°

São muitos os jogadores e ex-jogadores de futebol a subirem a Torre Vasco da Gama para provar as criações do Fifty Seconds by Martín Berasategui (Myriad by SANA, Cais das Naus, Lote 2.21.01, Parque das Nações, Lisboa, Tel. 211525380) . O “melhor cliente do Sporting” é o Pote, ouvimos dizer, mas também já por aqui passou o colega Adán e nomes como Pizzi, que jogou no Benfica. São pessoas “muito reservadas” e que vêm “desfrutar e relaxar um pouco”, pedindo por norma menu de degustação. Outros clientes conhecidos foram Tony Carreira, o primeiro-ministro António Costa e Daniel Oliveira, da SIC. André Rieu deu concertos de Natal na Altice Arena e fez uma estadia prolongada no Myriad, tendo sido montado um ginásio especial na Suíte Presidencial.

Olhando para a evolução do restaurante e o posicionamento, Pedro Miguel Ramos salienta que a o caminho tem sido “muito gratificante”. Conquistou-se uma estrela Michelin e sente-se “o reconhecimento do público nacional e internacional”. Em breve inaugura o Vasco da Gama Tower Babylon 360°: será “o rooftop mais alto de Portugal” e proporcionará uma “experiência única e exclusiva com vista panorâmica sobre o rio Tejo e uma viagem no tempo até à Era dos Descobrimentos”. “A viagem leva cerca de um minuto e leva-nos a 130 metros de altitude. Na chegada ao rooftop, o visitante é convidado a seguir uma rota de visita no espaço, dispondo de zonas de descrição dos pontos de maior interesse da cidade de Lisboa. Além da deslumbrante vista sobre a zona oriental lisboeta, pode desfrutar de uma oferta diversificada de cocktails no Babylon, inspirado nos jardins suspensos da Babilónia e destinado a criar um ambiente confortável e acolhedor. Usufrua de um momento interativo em família ou de um pôr-do-sol incomparável sobre as águas lisboetas. Uma nova paragem obrigatória”, garante o grupo SANA.

Myriad by SANA vira-se para o rio

Myriad by SANA vira-se para o rio

Para comemorar os 50 anos do Expresso e do Recheio, fazemos uma viagem no tempo para relembrar restaurantes que marcaram as últimas cinco décadas. Acompanhe, todas as semanas, no Boa Cama Boa Mesa.

Recorde os primeiros restaurantes desta iniciativa:

1972: O restaurante bar de Lisboa que se transformou na segunda casa do Expresso

1973: O tributo a Eusébio e uma mesa para a eternidade

1974: O Pote que ajudou a cozinhar a Revolução dos Cravos

50 ANOS RECHEIO

A marca Recheio surgiu no mercado em 1972. 50 anos depois, dispõe de 40 lojas e três plataformas distribuídas por todo o território nacional, mantendo como grande objetivo ir ao encontro das necessidades dos clientes ao apresentar desde os ingredientes às soluções, assumindo claramente um compromisso de estar ao lado dos empresários do canal HoReCa e retalho tradicional, contribuindo para o desenvolvimento do negócio, como um parceiro.

Acompanhe o Boa Cama Boa Mesa no Facebook, no Instagram e no Twitter!