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Ervas, flores, vegetais, raízes, cascas e frutos: há pérolas para comer e um jardim do Éden para cozinhar em Vila Real

24 outubro 2022 16:12

Ervas, flores, vegetais, raízes, cascas e frutos são comestíveis na Ervas Finas, quinta de Graça Saraiva, exemplo maior de um ecossistema de valor alimentar, implementado com base nos princípios da permacultura.

24 outubro 2022 16:12

“É uma quinta rica em biodiversidade.” Eis como Graça Saraiva, formadora da Escola de Hotelaria e Turismo de Lamego e consultora na área da alimentação, define o seu enorme jardim plantado numa propriedade localizada na aldeia de Fonteita, freguesia de Andrães, no concelho de Vila Real. Nela está sediada a sua empresa, a Ervas Finas, que fundou em 2005. “Já teve uma base mais produtiva assumida”, um ecossistema que, inicialmente, permitiu-lhe fornecer ervas aromáticas, flores comestíveis, microverdes, entre outros produtos, a hotéis e restaurantes. “Agora tem um design mais naturalizado, tem mais arbustos, mais árvores. É uma estrutura ajardinada, com valor alimentar” constituída por raízes, caules, folhas, frutos, sementes, flores, ervas aromáticas.

Ervas Finas

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A experiência, a bibliografia centrada na agrofloresta, na agricultura mais naturalizada, e a partilha de informação determinam a sua forma de pensar e agir. “Pratico muitos tipos de permacultura, que significa ‘cultura permanente’”, explica Graça Saraiva. A biodinâmica e a agrofloresta também são tidas em conta neste seu empenho na terra. “São os princípios da agroecologia”, que conferem a substituição das culturas anuais, por culturas vivazes, “que ficam muitos anos na terra e se adaptam às condições mais severas”, como o frio ou o calor, os ventos fortes ou a escassez de água, esclarece. Ao todo, são cerca de 600 espécies. “Para quem cá vem, este jardim é uma espécie de éden”, comenta a fundadora da Ervas Finas.

Ervas Finas

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No fundo, os vegetais “têm uma capacidade de adaptação incrível. Estão sempre a arranjar uma estratégia de sobrevivência”, maior e mais eficaz do que acontece no mundo animal. Além disso, Graça Saraiva aproveita os atributos de cada planta, no solo, para saber quais pode juntar, por forma a criar sinergias entre estes seres vivos. “A isto se chama sintropia ou agricultura sintrópica.”

Sempre atenta ao que se passa na Natureza, a mentora da Ervas Finas tira partido do potencial do seu jardim, “fonte inesgotável de matéria-prima”. Esta é levada para o seu espaço oficina, com cozinha e sala de formação e provas, totalmente integrado na envolvente e com uma enorme janela e varanda viradas para este cenário idílico. Aqui, desenvolve os seus produtos. É o caso das flores comestíveis, disponíveis frescas, são utilizadas em eventos temáticos especiais, mas também as disponibiliza desidratadas. Sob reserva, faz flores prensadas – tal como as ervas aromáticas –, utilizadas na pastelaria, e as cristalizadas, “joias de comer”, como lhe chama, ou não fosse este “puro trabalho de artesanato”.

Ervas Finas

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A comercialização abrange a sua coleção de infusões, vendidas em embalagens em algodão reciclado, “pintadas a aguarela, por mim”, revela Graça Saraiva, bem como as compotas.

Paralelamente, Graça Saraiva promove ações lúdicas e pedagógicas na sua quinta. O objetivo consiste em mostrar o seu contributo para o património natural, evidenciar o seu potencial, seja na terra, seja na cozinha, e consciencializar para a importância da biodiversidade, no qual também os fungos e os bichinhos têm um papel importante a desempenhar. “É uma oportunidade de verem toda esta diversidade instalada no campo.”

Ervas Finas

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Associações de desenvolvimento rural, alunos de escolas de hotelaria e turismo do país e cozinheiros são quem commumente se encontram com a mentora da Ervas Finas, mas as portas estão abertas a todos. Basta reunir um grupo de amigos e reservar um almoço em fogo de chão, por exemplo, preparado por Graça Saraiva, mas primeiro há que “provar no campo, colher, levar para a cozinha e cozinhar.”

Tudo é feito com tempo, para conhecer bem cada ingrediente do jardim do projeto Ervas Finas (Rua da Mouta, 605, Andrães. Tel.: 962822988), memorizar o seu verdadeiro sabor e apreciar cada momento, por a alimentação ser “uma das prioridades da nossa vida”, razão pela qual é preciso “reservar aquele tempo para comer devagar e participar na construção das nossas referências”. Isto é, para a Graça Saraiva, fundamental no dia a dia, para que a nossa vida seja mais sustentável.

Ervas Finas

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