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“Ladrões” e “gatunos” a “descortinar”

António Costa diz que é preciso prender os “ladrões” depois de terem apanhado os polícias (e talvez um ministro). Para Rui Rio, é preciso saber se o ministro da Defesa encobriu o próprio “gatuno”. E o ex-chefe de gabinete de Azeredo Lopes tem de clarificar o que não conseguiu “descortinar”

“Falta esclarecer muita coisa, e desde logo a captura dos ladrões. Devemos confiar em que a justiça faça o seu trabalho e os ladrões propriamente ditos sejam presos.”
António Costa, dia 5 de outubro, a reagir ao caso de Tancos

18 valores no índice do à política o que é da justiça. A pergunta ao primeiro-ministro não era sobre o desfecho do caso de Tancos, mas sobre se mantinha a confiança política no ministro da Defesa. António Costa respondeu, mas já lá vamos porque é preciso primeiro olhar com atenção para as duas frases acima citadas. O que podemos interpretar desta conversa de café? António Costa usa os conceitos simples que as pessoas percebem. É bem visto, mas é mal feito, até por ser uma tautologia: tratando-se de um roubo, falta apanhar os ladrões. Ora aí está uma grande verdade exposta aos olhos de toda a gente. Parece, no entanto, uma declaração politicamente perigosa. O primeiro-ministro está a insinuar que primeiro prenderam os polícias - neste caso os da Polícia Judiciária Militar - mas não prenderam os ladrões. Ainda por cima, agora envolvem o ministro (enquanto os gatunos andam aí à solta…). Com razão ou sem razão, Costa está a pôr em causa as prioridades da investigação e do Ministério Público. Para quem levou ao limite a frase “à política o que é da política e à justiça o que é da justiça”, esta posição é contraditória.

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