Opinião sem cerimónia

Heróis desconhecidos das máquinas voadoras e das “rastejantes”

Duarte Marques

Duarte Marques

Ex-deputado do PSD

19 julho 2022 8:02

Tal como os bombeiros, os sapadores e outros agentes de proteção civil, os pilotos dos meios aéreos e os manobradores destas máquinas arriscam demasiadas vezes a vida para salvar as nossas vidas e os nossos bens

19 julho 2022 8:02

Os pilotos dos meios aéreos de combate aos fogos, tal como os operadores de máquinas de rasto, são verdadeiros heróis desconhecidos de todos nós, não dão entrevistas, não têm farda de bombeiro ou de sapador, andam fora dos postos de comando e raramente lhes conhecemos o rosto ou nome. Mas eles são cruciais.

Mais cedo ou mais tarde uma tragédia como a que vitimou o jovem piloto do Fire Boss André Serra poderia acontecer. O trabalho dos pilotos dos aviões e helicópteros que andam no combate aos fogos é muito arriscado, é tão ou mais arriscado do que uma missão em teatro de guerra. Se as condições de altas temperaturas dificultam ou ameaçam a mecânica das aeronaves, as constantes manobras a que sujeitam, dia após dia, tanto para abastecer como para despejar água têm um risco brutal, muito superior a outras atividades aéreas como o transporte de passageiros ou mercadorias.

A muitos destes heróis desconhecemos o rosto e o nome, não andam nos teatros de operações, não estão nos postos de comando, não se sentam à mesa nos quarteis de bombeiros, nem dão entrevistas. Andam lá em cima a fazer o seu trabalho como completos desconhecidos e depois do serviço feito regressam à base, muitas vezes a léguas do fogo.

Tal como estes pilotos, também os cada vez mais fundamentais operadores de máquinas de rasto, as famosas buldózeres, fazem um trabalho incrível e arriscam a vida como poucos. Muitos deles, os mais corajosos e mais preparados para esta missão andam demasiadas vezes à frente dos bombeiros mesmo junto às chamas. Não usam farda, não têm qualquer seguro ou subsídio de risco e passam completamente despercebidos no teatro de operações. Também não dão entrevistas, não têm uma associação que os represente nem uma farda que os distinga. Tal como muitos heróis, o seu rosto é completamente desconhecido do comum dos mortais e mesmo de muitos que andam no “teatro de operações”.

A este propósito devo dizer que o país e a proteção civil tinham muito a ganhar se recorressem cada vez mais a estas máquinas de rasto para prevenir e combater incêndios. Choca-me até que tantos municípios com área florestal não possuam sequer uma para preparar o terreno durante o inverno e fazer o combate durante o verão. Quando era Deputado, o PSD apresentou precisamente um Projeto para que o país tivesse um plano de utilização destas máquinas e referenciasse a existentes por todo o território, promovendo a formação de operadores para o combate aos fogos e definisse um valor a pagar às empresas, tal como um seguro, que as cedessem sempre que necessário para o combate aos incêndios.

Tal como os bombeiros, os sapadores e outros agentes de proteção civil, os pilotos dos meios aéreos e os manobradores destas máquinas arriscam demasiadas vezes a vida para salvar as nossas vidas e os nossos bens. Não podendo fazer muito mais, faço este artigo em jeito de homenagem a estes heróis desconhecidos e deixo-lhes o meu Muito Obrigado.