Jaime Gama: próximo primeiro-ministro?
30.03.2011 às 3h30
1. Sabemos que, não obstante o Conselho de Estado só se realizar na próxima quinta-feira, o Presidente da República já decidiu o que fará: dissolver a Assembleia da República e convocar eleições. Todavia, a solução que foi divulgada ontem pela comunicação social seria porventura a melhor para o país: a substituição de José Sócrates por Jaime Gama na liderança do Governo.
1.1. Com efeito, o interesse nacional desaconselha a realização de eleições antecipadas neste momento. Porquê? Porque o bom senso e a lógica da vida (não só da política) recomendam que só se adote uma solução drástica (a realização de eleições) se o resultado que daí advier for mais positivo para o interesse nacional. Não é o que sucederá (como já aqui expliquei no POLITICOESFERA) - o PSD não propõe um caminho alternativo ao PS. Já o próprio Passos Coelho fez saber que o seu Governo tomará, na prática, as medidas que chumbou do Governo José Sócrates (aumento de impostos, pois claro!). A este propósito, recebi diversos mails (politicoesfera@gmail.com) a defender a inverosimilhança de um PSD com um projeto diferente e mais audaz, que rejeitasse os vícios e as modas do PS, dado que Portugal se encontra na bancarrota e dependente da ajuda - explícita ou implícita - do exterior. Contudo, tais argumentos só fortalecem a minha tese. Vejamos porquê:
a)O cenário de eleições justificar-se-ia caso significasse um novo rumo político. Um novo dinamismo. Ora, o maior partido da oposição não se mostrou capaz de personalizar tal alternativa. Logo, o que interessa é mudar apenas o rosto do homem que estará á frente dos nossos destinos. As medidas serão exatamente as mesmas, caso seja PS, PSD ou CDS. Se o problema principal se chama José Sócrates, por que não substituí-lo? Os dirigentes partidários deveriam dar um exemplo de responsabilidade e sentido de Estado e perceber o que melhor serve o país. Neste momento, a solução seria um Governo a três, com um novo primeiro-ministro, sem recurso a eleições no imediato. A legislatura seria cumprida (recorde-se que quem foi eleita para quatro anos foi a Assembleia da República - não o Governo) e, em 2013, o país iria a votos. Uma visão estritamente inspirada pelo superior interesse de Portugal imporia esta solução.
b)Se as medidas já estão pré-definidas e não podemos fugir delas, será razoável perder mais tempo? Fazer os portugueses mergulhar em novas eleições? O rating da República portuguesa voltou a descer. O presidente do BES, Ricardo Salgado, veio alertar para os perigos de financiamento da banca e da economia, acusando a oposição de irresponsabilidade. Vamos andar nisto até Junho? O que irá perder Portugal entretanto? Uma instabilidade política que, no fundo, é para manter tudo na mesma...
2. Dito isto, qual seria a figura que poderia liderar um Governo de salvação nacional? Jaime Gama é um nome muito certeiro. Um homem ponderado, centrista (não socialista no sentido tradicional, poderia perfeitamente pertencer ao PSD), com sentido de Estado e responsabilidade. Inteligente, com um humor mordaz, politicamente combativo - e um homem respeitado pelos portugueses. Seria um líder compromissório que faria muito bem a ponte entre os partidos do arco da governabilidade. Portugal ficaria em boas mãos. Pena é que os nossos políticos não saibam pensar exclusivamente no interesse de Portugal. Assim, resta-nos continuar a sonhar por um país melhor...