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Expresso

A Europa desalinhada

Fukushima, a melhor publicidade para a energia nuclear

22.03.2011 às 16h29

O desastre no Japão teria maior peso se existissem alternativas menos nocivas. A energia atómica faz parte da solução.

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Não ficará surpreendido ao ouvir-me dizer que os eventos no Japão mudaram a minha opinião sobre a energia nuclear, mas sim ao saber como isso aconteceu. A seguir ao desastre em Fukushima deixei de ser neutro em relação ao nuclear. Agora defendo essa tecnologia.



Uma fábrica velha e de pouca qualidade, com sistemas de segurança desajustados, foi atingida por um terramoto e um tsunami enormes. O fornecimento de eletricidade falhou, deixando o sistema de arrefecimento inoperativo. Os reatores começaram a explodir e a derreter. O desastre expôs um historial já conhecido de projetos de baixa qualidade e de facilitismo. No entanto, tanto quanto sabemos, ainda ninguém recebeu uma dose fatal de radiação.



Alguns ecologistas têm exagerado muito os perigos da poluição radioativa. Se as outras formas de produção de energia não causassem qualquer dano, estes impactos deveriam ser maiores. Mas a energia é como um remédio: se não tem efeitos colaterais, provavelmente não funciona.



Como a maioria dos ecologistas, sou a favor de um grande crescimento das energias renováveis. Posso também simpatizar com as queixas dos seus opositores. Não são apenas os parques eólicos em terra que incomodam, mas também as ligações à nova rede (postes e linhas de eletricidade). Quanto mais aumentar a quota de energia renovável na rede, maior capacidade de armazenagem bombeada será necessária para manter as luzes acesas. Isto implica ter reservatórios nas montanhas, que também não são bem aceites.