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Expresso

2019 – Vamos testar os democratas

2019 começou a avisar que não há espaço para mais ou menos.

Bolsonaro tomou posse e não amenizou o dito na campanha. Os observadores da vida, Cristas e gente que andou a fazer simetrias intoleráveis entre um fascista e Haddad, ou a reclamar com espírito idiota que “ninguém se preocupa com a extrema-esquerda”, puderam confirmar que o adepto da tortura não estava na brincadeirinha.

Ninguém de jeito foi à posse de Dilma. Marcelo foi à posse de Bolsonaro e não deixou uma palavra de conforto aos democratas, preferindo mostrar a alegria da irmandade e convidar quem odeia a liberdade e a igualdade a visitar a terra lusa.

Nos EUA, no Brasil e pela Europa fora crescem pelo voto os alegados (não) políticos, os que se dizem fora do sistema, os que fazem da desconfiança das instituições democráticas estrume para a edificação do populismo, do nacionalismo e do fascismo. Com diferenças e contextos específicos, está lá a negação da diferença, a padronização comportamental, a ditadura da maioria em matéria de direitos fundamentais, a xenofobia, o racismo, a homofobia e a misoginia.

Por cá, o mais famoso nazi português, um criminoso sem arrependimentos, é branqueado na TVI pela mão de Goucha. O nazi, “discípulo de Hitler”, que agora quer um novo Salazar, sorri nas redes sociais com a defesa que escribas inevitáveis do Observador e Pacheco Pereira fizeram da “incómoda” liberdade de expressão.

Também por cá, há quem diga que as políticas identitárias podem empobrecer a esquerda, uma vez que elas seriam, alega-se, matéria exclusiva de direitos humanos, sem ideologia, pelo que insistir em falar muito nos direitos das minorias é dar força a Bolsonaros. A esquerda que se concentre apenas na desigualdade social.

Maria José Vilaça e Abel Matos Santos abandonaram um debate sobre “terapias de conversão”.

São psicólogos, o segundo acolhido por Cristas no seu exército. Abandonaram o debate como se fossem vítimas e alegam que não têm de se sujeitar a “ideologias” ou, nas palavras de MJV, à “ideologia do género”, esse slogan nascido no Vaticano. Não são vítimas. As vítimas são os gays e as lésbicas atacados por quem apelida a ciência e a igualdade de “ideologia de género”.

Entretanto, o CDS ataca tudo o que tenha, diz, “caracter ideológico”.

2019 começou a avisar que não há espaço para mais ou menos.

Estejamos atentas e atentos.

Entre o fascismo e a democracia não pode haver hesitações.

Não se pede desculpa pela democracia.

Branquear nazis e fascistas não tem nada a ver com liberdade de expressão.

A defesa das minorias é uma atitude de elevado valor moral, ético e democrático. Que ninguém fale baixinho à conta de Bolsonaros internacionais e nacionais.

A política é e tem de ser feita de escolhas ideológicas.

Escolham. Eu rejeito a neutralidade.