Bons resultados sem o Estado
30.12.2010 às 8h31
Ao que parece, Portugal vai reduzir o seu défice da balança de pagamentos, porque cortou a sério no consumo do Estado (menos importações). Sem a presença do Estado, a nossa economia apresenta melhores resultados. Querem um desenho?
I. Camilo Lourenço fez a pergunta que interessa: "O Estado faz assim tanta falta?". Não, não faz . E explica-se já porquê, com factos e não com aspirações ou desejos. Os últimos números do INE indicam o seguinte: a manutenção de um ritmo elevado de crescimento nas nossas exportações (algo que já abordamos aqui ), e uma baixa acentuada das importações. Por que razão as importações começaram a cair? Porque ocorreu uma travagem no consumo privado (de 2,8% para 1,3%) e, acima de tudo, porque houve uma brusca diminuição do consumo público (de 6,5% para 0,3%). Ora, isto parece indicar uma coisa muito simples: o principal culpado pelo nosso monumental défice comercial é a despesa do Estado. O nosso querido Leviatã anda mui amantizado com as importações.
II. Além disso, estes números põem em causa um dos principais mitos do regime, um mito que até Cavaco Silva gosta de ter debaixo do braço: o Estado, diz esta lenda, é fundamental para estimular a economia. Ora, estes e outros números indicam precisamente o contrário: o Estado não é o motor da economia. É, isso sim, um empecilho ao desenvolvimento da atividade económica. Estamos sem crescer há 10 anos? Querem mais o quê para - de uma vez por todas - deixar cair a ideia de que o Estado é o dínamo da economia?