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Os falhanços de 2022: o bizarro caso de DaBaby no Super Bock Super Rock

1 janeiro 2023 11:00

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022

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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022

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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022
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Dababy no Super Bock Super Rock 2022

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15 de julho de 2022, Lisboa. Jonathan Lyndale Kirk, mais conhecido por DaBaby, chegou à Altice Arena com 45 minutos de atraso, não mostrou a cara nos ecrãs gigantes, mandou expulsar os fotógrafos da frente do palco e passou metade do muito breve espetáculo a mandar os fãs abrir um mosh pit. Tudo pelo meio de muito fumo e até labaredas. Só a música ficou pelo caminho. Recorde aqui

1 janeiro 2023 11:00

Lia Pereira

Lia Pereira

Jornalista

Rita Carmo

Rita Carmo

Fotojornalista

Publicado originalmente a 16 de julho de 2022

Primeiro eram 10 minutos de atraso, depois 20, às tantas meia hora. Ao contrário do que aconteceu ontem com A$AP Rocky (por comparação, um artista de pontualidade britânica), a plateia não parecia muito preocupada com a demora de DaBaby, rapper norte-americano campeão de vendas nos Estados Unidos. Entretidos com o hip-hop que o DJ de serviço ia passando, os espectadores que deixavam bem composto o pavilhão aqueciam os ânimos e os músculos para um espetáculo que prometia muita interação física. Tal como Rocky, Jonathan Lyndale Kirk, aka DaBaby, aposta na formação de mosh pits para potenciar a sua música incisiva e catártica. Mas do autor de 'Suge' nem sinal, nem mesmo após as primeiras experiências com labaredas em palco.

À medida que o tempo passava, interrogávamo-nos: será este um novo conceito de espetáculo, em que o artista não chega a aparecer? Denotando alguma desorientação, a entourage do cabeça de cartaz percorria o palco, como que procurando algo ou alguém. Aos 35 minutos de espera, um mestre de cerimónias incentiva o público a "fazer barulho" e avisa que, esta noite, nos vamos divertir muito. Lembra também que a missão do público, nesta sexta-feira à noite, é abrir um mosh pit e fazer a festa lá dentro. Mas onde está DaBaby? "Let's rage!", ordena o braço direito do artista, e na plateia há mosh mesmo sem mais ninguém em palco.

Quando já temíamos que o homem temporariamente "cancelado" devido a declarações ignorantes fosse uma espécie de D. Sebastião do rap, tendo-se perdido algures na bruma do rio, eis que ele surge em palco, para aparente alívio da sua equipa. O que quer que tenha estado a fazer naqueles 45 minutos, não terá passado por aperaltar a sua imagem, uma vez que se apresenta de calções amarelos, como quem vai para a praia. Ao contrário de outros hip-hoppers, nem se pode dizer que DaBaby aposte no culto da imagem, uma vez que nunca aparece nos ecrãs gigantes e que, depois de quase uma hora à espera, os fotógrafos são escorraçados do fosso.

A função de DaBaby esta noite é ser uma espécie de 'coach' motivacional, descendo ao público e debitando algumas das suas rimas velozes e contundentes, abafadas por um som caótico e complementadas por muitas vozes pré-gravadas. Em palco, o seu fiel assistente faz por merecer boa parte do cachê, gritando todo o tipo de palavras de ordem ("Let's go!", "Make some noise for DaBaby!", "Hands up!") como quem mantém o público aceso e dá corda ao artista, que apesar do nome artístico não imaginávamos ter tão pouca autonomia.

Apresentada muitas vezes a correr, como num zapping constante entre temas como 'Rockstar' ou 'Levitating', o êxito de Dua Lipa no qual DaBaby assinou uma participação, a música é aqui um mero pretexto para a libertação física do mosh. O rapper muda-se muitas vezes de armas e bagagens para o meio do público, cada vez mais escasso, empoleirando-se nos seus braços e servindo de figura inspiracional para os seguidores que permanecem na arena. E os que permanecem mostram-se em pleno delírio, num espetáculo em que ouvimos mais vezes o sample de "That ain't DaBaby, that's my baby!" (tag criada por Megan Thee Stallion na colaboração 'Cry Baby') do que a voz do homem que deu um dos concertos mais bizarros de que temos memória. Que tenha sido "cancelado" espanta menos que tenha estado confirmado, nomeadamente como cabeça de cartaz de grandes festivais como o Super Bock Super Rock, no qual esteve à vista do público durante uns modestos 45 minutos.

Atualizado às 16h29 de 16 de julho, com a informação enviada pelo leitor André Gomes, a quem agradecemos