Blitz

A aceitação de Surma: como ser vulnerável em 11 canções

4 dezembro 2022 19:28

Mário Rui Vieira

Surma, ou Débora Umbelino, ao segundo álbum

rui palma

Depois de “Antwerpen”, que retirou a artista leiriense do anonimato, chega “Alla”. “Precisava destes cinco anos para crescer”, confessa ao Expresso

4 dezembro 2022 19:28

Mário Rui Vieira

Há pouco mais de cinco anos, Débora Umbelino começou a desbravar um mundo musicado no qual, ontem como hoje, uma parafernália de instrumentos irrompe do silêncio para se confundir com murmúrios que significam mais pela sua entoação do que pelo sentido que as palavras, reais ou inventadas, possam ter. “Antwerpen”, o primeiro álbum, arrancou Surma ao anonimato e nele cedo nos mostrou que definir-se enquanto artista era a menor das suas preocupações. Movendo-se entre géneros musicais como só consegue fazer quem conhece bem as regras para poder subvertê-las, atirava-nos para um território sem grandes delimitações, juntando as eletrónicas cruas de ‘Nyika’ ou ‘Saag’ à irradiação pop de ‘Hemma’ para, de seguida, nos desnortear com as minudências contemplativas e experimentais de ‘Miratge’, ‘Plass’ ou ‘Voyager’. Não desmerecendo, de todo, essa primeira investida, o que escutamos, agora, em “Alla”, parece ser a flor que despontou das sementes deitadas ao solo naquelas canções. “Precisava destes cinco anos para crescer enquanto pessoa e enquanto artista”, assume ao Expresso, “e também para tentar perceber qual o caminho que queria para o segundo álbum e aquilo que queria transmitir às pessoas”. É nessa maturação, acelerada pelo isolamento forçado da pandemia, que assentam as raízes de “Alla”, um disco que, tal como o antecessor, não se compromete, deixando transpirar de cada nota musical uma liberdade criativa só acessível a quem escava sempre um bocadinho mais fundo em busca de algo novo para dizer.

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