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Teresa Salgueiro: “Fui a 14ª cantora a fazer uma audição para Madredeus. Cantei três temas e fui logo partilhar a alegria com os meus pais”

Teresa Salgueiro
Teresa Salgueiro
Rita Carmo

Celebrando 35 anos de carreira, Teresa Salgueiro recordou à BLITZ o caminho trilhado até ao dia em que prestou provas para cantar nos Madredeus. “Saía com uma amiga, na descoberta do Bairro Alto daquele tempo, e ela pedia-me para cantar. Fazia-se silêncio, fosse num restaurante, numa tasquinha ou às vezes até no meio da rua, e depois as pessoas aplaudiam”

Em novembro, Teresa Salgueiro celebra 35 anos de carreira com concertos em Coimbra, Lisboa, Guarda e Porto. Dino D'Santiago, Marisa Liz, Camané, Tim e Maria João são convidados daquela que, durante os seus primeiros vinte anos de percurso, foi a voz de um dos mais bem sucedidos grupos portugueses: os Madredeus.

Em entrevista à BLITZ, que pode ouvir na íntegra no podcast Posto Emissor do passado dia 22 de outubro, a artista recordou os seus primeiros passos na música e o caminho que a conduziu aos Madredeus, em 1985.

“A música e canto, no meu caso, foram uma companhia desde pequenina. Sou filha única e passava muitas horas sozinha a cantar. A música estimulava-me. Cantava com gosto sem ter noção de que a música pudesse vir a ser o meu ofício. Só me dei conta de que, quanto cantava, as pessoas gostavam de me ouvir quando comecei a sair à noite para o Bairro Alto”, conta.

“Tinha uma amiga que me pedia sempre para cantar, ela ouvia-me cantar nos intervalos das aulas do liceu. Saíamos juntas na descoberta do Bairro Alto e da Lisboa daquele tempo, ela pedia-me para cantar, fazia-se um silêncio, eu cantava a cappella, fosse num restaurante, numa tasquinha ou às vezes até no meio da rua e as pessoas aplaudiam. As minhas saídas noturnas começaram a ter esse motivo”, continua.

Salgueiro sublinha, contudo, que só pensou na música como profissão “depois de ter tido o convite para uma audição que levou a que os Madredeus se materializassem”. “O Pedro Ayres Magalhães e o Rodrigo Leão procuravam uma cantora e eu fui fazer a 14ª audição. Ao que sei, 13 cantoras tinham feito audições antes. Depois apareceu o Gabriel Gomes, que estava com o Rodrigo na Sétima Legião, convidaram depois o Francisco Ribeiro. Foi só aí, quando começou a haver concertos, que eu percebi que esta ia ser a minha vida”.

Descrevendo, em concreto, o dia da audição, Teresa Salgueiro afirma não recordar grande nervosismo. “Foi na cave do Paulo Abelho, da Sétima Legião, onde eles ensaiavam, e eu cantei três temas: ‘A Cantiga do Campo’, ‘Fado do Mindelo’ e ‘A Sombra’. Lembro-me do grande impacto que aquela música teve em mim. A música que eu cantava naquelas ocasiões espontâneas eram temas que eu tinha aprendido com o Zeca Afonso, do ‘Cantigas o Maio’, e a Amália, do ‘Busto’, que me provocavam uma paixão enorme. Aqueles três temas eram inéditos, mas ao mesmo tempo pareceram-me muito familiares, desde logo. Penso que foi por isso que o público acolheu com tanto entusiasmo aquela ideia musical: era uma música nova feita por gente também nova, que nos trazia todo um universo da nossa memória e a projetava no futuro”.

Depois da audição, Teresa Salgueiro voltou a casa. “Fui logo partilhar a alegria com os meus pais, que adoram música”. “Eles acolheram logo a ideia de que eu estava a começar [um percurso]. Mostraram-me sempre o maior entusiasmo, e ainda bem, porque me fez falta”, conclui.

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