Sondagens? Leal Coelho prefere falar da paisagem
29.09.2017 às 15h36
Campanha para as autárquicas: Teresa Leal Coelho, candidata do PSD a Lisboa, com Pedro Santana Lopes esta sexta-feira
José Carlos Carvalho
Com o estudo do Expresso a reforçar a tendência para Teresa Leal Coelho ser terceira em Lisboa, a candidata fala de tudo menos de sondagens ou de outras más notícias
Vista do terraço do Hotel Mundial, no coração de Lisboa, a capital parece mesmo o postal ilustrado que atrai cada vez mais turistas, e não a cidade “esquecida” e “abandonada” de que Teresa Leal Coelho passou a campanha a falar. O Tejo ao fundo, o Castelo de um lado, o Bairro Alto do outro, a Praça da Figueira aos pés. Tudo é sol, tudo é paisagem. Dali não se vêem as capas dos jornais que esta sexta-feira chegaram aos quiosques com mais dores de cabeça para a candidata do PSD. No Expresso, a sondagem que afunda o PSD nas duas principais cidades do país e deixa Teresa atrás de Assunção Cristas; no Diário de Notícias, a entrevista de Sofia Vala Rocha, a nº5 da lista de Leal Coelho, que parte a loiça toda, arrasando a campanha de Lisboa e a estratégia de Passos para as autárquicas.
Foi lá em cima, no terraço - ou, como lhe chamam, no “Rooftop” (que é terraço em inglês) - que Teresa Leal Coelho tomou um café com Pedro Santana Lopes e foi confrontada pelos jornalistas com as novidades do dia. O pingue-pongue foi como a seguir se transcreve:
Com mais sondagens a colocá-la em terceiro, atrás de Assunção Cristas, acredita que as sondagens estão todas erradas?
“Estou aqui muito satisfeita, tenho uma vista maravilhosa, olhando à volta e vendo o Rio Tejo, vemos que esta é uma cidade que tem tudo para dar certo, se for bem gerida. Aqui por trás temos o Castelo de São Jorge, que também ilustra alguns feitos, e tenho aqui ao lado Pedro Santana Lopes, que foi o melhor presidente da Câmara de Lisboa da democracia portuguesa. É um dia muito estimulante, muito inspirador, e olhando à volta sei que esta cidade, que hoje não respira, tem de respirar e eu vou por a cidade a respirar quando for eleita presidente da câmara…”
[E continuou a resposta no mesmo sentido]
Não comenta as sondagens?
“Voltando a olhar à volta, sobretudo para o rio, lembro-me de alguns pontos do meu programa que é bom que o serviço público faça chegar aos eleitores a tempo de ponderarem a sua votação, nomeadamente o passeio que fizemos de cacilheiro pelo Tejo para apresentar o nosso programa de mobilidade…”
[E desfiou o discurso de campanha sobre mobilidade, taxa proteção civil, falta de transparência da CML, a Lisboa esquecida, os bairros ignorados, centros de dia, creches, centros de saúde. Em conclusão: “Eu sei que os residentes de Lisboa não estão contentes com esta câmara, basta entrevistá-los na rua, aleatoriamente, e ouvirão queixas, uma após outra.”]
Gosta ou não de fazer política?, pergunta outro jornalista, pegando numa das acusações que lhe foi lançada por Vala Rocha na entrevista ao DN.
“Volto a olhar para o Tejo, que é inspirador, e porque acho que devemos sempre viver com inspirações muito positivas, e é isso que pretendo para a cidade de Lisboa...”
Foi mais ou menos isto. As perguntas sobre sondagens embateram sempre na paisagem. A resposta à pergunta sobre as críticas de Sofia Vala Rocha começou também pela paisagem, passou pela frase “temos um sonho para a cidade de Lisboa”, e desembocou na política, tal como Teresa Leal Coelho gosta de a fazer: “Política é para mim promover justiça, segurança e bem-estar social, e é isso que me interessa. (...) Sim, gosto de ação política, estou disponível para ela, continuarei disponível para ela a partir de dia 1, espero que como presidente da CML.”
Nos pires das chávenas das bicas, havia chocolatinhos embrulhados num papel com a inscrição "Feel the city". José Eduardo Martins, o cabeça de lista à Assembleia Municipal, deixou o chocolate, mas levou o papelinho.