Santana, o médio ofensivo, tirou o dia para puxar pelos amigos
29.09.2017 às 18h31
Filipe Santos Costa
Café de manhã com a Teresa, pastel de nata à tarde com o João, croissant depois com o "Rosinha". Pedro não se esquece dos seus amigos do PSD
Para o comum dos políticos portugueses, esta sexta-feira é o último dia de campanha eleitoral para as autárquicas de domingo. Para Pedro Santana Lopes é o dia do amigo. Pedro é um homem que é amigo dos seus amigos. Há anos que conhece a Teresa, que foi sua aluna em Direito, e se tornou sua amiga. Ainda há mais anos conhece o “Rosinha”, que foi seu colega na mesma Faculdade de Direito, quando Pedro ainda não era professor. E, antes disso tudo, já era amigo do João - cresceram juntos entre os Olivais e Alvalade, foram colegas no liceu, travaram juntos batalhas políticas e de vez em quando ainda fazem uma futebolada.
Apesar de estar mais ou menos afastado da política, por causa do cargo que ocupa na Santa Casa da Misericórdia, Santana Lopes tirou esta sexta-feira para apoiar esses amigos. Eles bem precisam.
Teresa Leal Coelho, candidata à Câmara de Lisboa, está numa batalha “difícil”, como reconheceu Santana Lopes durante um café, ao fim da manhã, no terraço do Hotel Mundial.
João Pessoa e Costa, candidato à de freguesia de Alvalade, tenta recuperar uma junta que sempre foi PSD, até ao descalabro de 2013. Há quatro anos, o vencedor foi André Caldas, que acumula as funções de presidente da junta com as de chefe de gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno.
Fernando Ribeiro Rosa, o “Rosinha”, é o presidente e recandidato à junta de Belém, e um dos cinco presidentes de junta do PSD em Lisboa. Mas a ameaça de um desaire no domingo pode levá-lo na enxurrada - se as sondagens estiverem certas, dificilmente os sociais-democratas manterão alguma presidência de junta. Se assim for, haverá a situação inédita do PSD não presidir a qualquer freguesia da capital.
Política e futeboladas
Santana teve muitas solicitações para apoiar candidatos locais do PSD, aceitou algumas, mas não todas, por causa do seu estatuto de provedor da Misericórdia. “Não devo andar na rua a fazer campanha, estou provedor da Santa Casa, mas outra coisa é sabermos a que equipa pertencemos, quais são os nossos laços e as nossas raízes principais”, explicou durante o café ao fim da manhã, na Baixa.
Em Alvalade, estão literalmente as raízes de Santana Lopes. Por isso foi ao bairro beber uma Coca-Cola e comer um pastel de nata com o amigo João. “Não podia deixar de vir, o João e o ‘Rosinha’ são amigos especiais”, explica.
Senta-se com João Pessoa e Costa numa mesa da pastelaria Carcassone. Foram colegas no Liceu Padre António Vieira, cresceram juntos “neste cosmos, que vai dos Olivais até à Praça de Londres", onde Santana jogava à bola no Primeiro de Maio, ia à missa e à catequese, comia gelados na Conchanata, namorava, cortava o cabelo na Nova Lisboa, mesmo em frente ao café onde dá apoio ao amigo candidato. Às vezes, ainda jogam futebol no campo do Inatel - ambos como médios, Santana “mais médio ofensivo”, claro.
Estão a desfiar histórias desse tempo, quando se senta à mesa a Marta, que morava no mesmo prédio que os Santana Lopes. “Eles eram seis, e nós éramos seis, imagine o regabofe”, conta a amiga. “Em casa da Marta eram cinco raparigas e um rapaz, na minha éramos três/três”, atalha Santana, que se lembra da cor dos olhos e do cabelo de cada uma das suas vizinhas. “Tenho boa memória”, justifica-se a rir. Se não fossem duas bandeiras do PSD noutra mesa, ninguém diria que este era um encontro político.
Falam do “Rosinha”, petit-nom de Fernando Ribeiro Rosa, colega de curso de Santana e de Durão Barroso, que acabou por ser chefe de gabinete “do Zé Manel”. (“Sabe que ali, onde era o Bons Amigos, foi o restaurante onde eu e o Zé Manel almoçámos no dia em que nos licenciámos?”, conta Santana.)
“O João e o ‘Rosinha’ estiveram comigo na candidatura de 2001”, lembra o ex-presidente da câmara, citando a candidatura em que poucos acreditaram, mas que o catapultou de novo para a ribalta política. Agora é a vez do Pedro retribuir. Sai de Alvalade para o Careca, a famosa pastelaria do Restelo, para dar um abraço ao “Rosinha”. Com croissants e palmiers na mesa, claro. Com açúcar, com afeto.