Análise

Como Marcelo (não) falou dos problemas das Forças Armadas

25 abril 2022 21:53

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Marcelo Rebelo de Sousa cumprimenta militares durante uma visita à Companhia de Fuzileiros Independente – EUTM, em Katembe, Moçambique

josé coelho

O Presidente da República apelou ao investimento em Defesa, no sentido de serem os próprios portugueses a exigirem isso ao poder político em nome da segurança. Mas não mencionou sequer um dos problemas das Forças Armadas, como falta de efetivos, degradação de equipamentos ou falta de operacionalidade. Também omitiu a meta da NATO para os 2% do PIB em despesas militares, não falou dos novos conceitos estratégicos e não deixou passar nenhuma opinião sobre a sua visão de futuro quanto à Defesa Nacional. Porquê?

25 abril 2022 21:53

Vítor Matos

Vítor Matos

Jornalista

Em 48 anos de democracia, ainda nenhum Presidente da República tinha subido à mesa da Assembleia da República para fazer o discurso do 25 de Abril com a Europa chocada por uma potência nuclear ter avançado, por opção, para uma guerra de conquista territorial, como as que deram origem a dois conflitos mundiais. Marcelo Rebelo de Sousa lê bem os tempos políticos. Percebeu que, com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a nova geopolítica, a opinião pública poderia estar mais recetiva às necessidades de investimento em Defesa. Constatou que, sem paz, "a insegurança atingirá também as nossas vidas".