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Cavaco Silva: aplicação do programa da troika é muito positiva

O Presidente da República, em vista à Finlândia, diz que Portugal pode ser um estímulo para a União Europeia já que cumpre tudo o que prometeu.

Luísa Meireles (texto) (www.expresso.pt)

O Presidente da República afirmou hoje que vai fazer uma apresentação "muito positiva" sobre a aplicação do programa da troika em Portugal aos seus homólogos do chamado "Grupo de Arraiolos".



"Tenho bons argumentos para apresentar, as duas avaliações positivas da troika, as reformas e um acordo de concertação social invejável que não consta ainda dos documentos oficiais", afirmou Cavaco Silva numa conversa informal com os jornalistas à sua chegada a Helsínquia.



O Grupo de Arraiolos - uma associação de nove chefes de Estado da União Europeia sem poderes executivos, que deve o seu nome ao facto da sua primeira reunião se ter realizado naquela cidade alentejana - reúne-se esta sexta e sábado na capital finlandesa, tendo como primeiro tema precisamente a situação da UE no contexto global.



É neste âmbito que o Presidente português fará a apresentação sobre Portugal, tanto mais que estará sobre a mesa a crise do euro.

 

"Portugal pode ser um estímulo para UE"



Segundo o Presidente, é importante que responsáveis de países como a Finlândia, Áustria, Eslovénia ou Alemanha conheçam a realidade portuguesa e que saibam que "Portugal cumpre com tudo a que se comprometeu".



"Se as coisas correrem bem em Portugal, a zona euro ganha e é um estímulo para que se passem à prática as conclusões da última cimeira sobre o crescimento e o combate ao desemprego jovem", afirmou Cavaco Silva.   



O Presidente manifestou-se ainda sobre a Grécia, assinalando que "há novas esperanças" que os partidos se possam entender até ao fim de semana, mas reconheceu que "Portugal não é nada beneficiado" pela incerteza grega, tal como a zona euro também não o é.



"Enquanto a Grécia estiver como está, ninguém retira a palavra crise da zona euro", afirmou.

 

Mediterrâneo a cargo de Cavaco



O Grupo de Arraiolos debaterá ainda a discriminação e a luta contra a intolerância e fará uma análise da estratégia da UE face aos países do Sul do Mediterrâneo, cuja apresentação estará a cargo de Cavaco Silva.



"A UE não pode ignorar o que se está a passar nesses países e tem de ter uma estratégia para lidar com eles", disse Cavaco, salientando que eles estão a proceder a reformas muito profundas. Depois das eleições na Tunísia, Egipto e Marrocos, falta a Líbia "e há o problema sírio", sublinhou.

 

Nanotecnologias e mar



No âmbito da sua deslocação a Helsínquia, o Presidente da República aproveitará para fazer um programa bilateral, já amanhã, no decurso do qual visitará várias empresas finlandeses para mostrar as potencialidades de Portugal nas áreas da nanotecnologias e do mar.



 Entre essas empresas conta-se a Nokia-Siemens, que está também instalada em Portugal e é líder de mercado (exporta mais de 80% da sua produção), a própria Nokia, e ainda a FINPRO, a equivalente finlandesa da AICEP, mas que está muito virada para as indústrias do mar.

 

"Precisamos de parcerias"



Na área das tecnologias, Cavaco recordou que inaugurou o primeiro laboratório de nanofabricação português (Universidade Nova) e que está sediado em Braga o Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia.



Segundo as previsões, citou, em 2015 os produtos de consumo que usam alguma forma de nanotecnologia incorporada valerão cerca de um trilião de dólares.

"Precisamos de parcerias com gente que tem um cluster mais avançado e de investidores estrangeiros", afirmou Cavaco Silva, sublinhando que é preciso que reconheçam que Portugal é uma boa localização para as tecnologias avançadas.