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Camarate: Freitas do Amaral defende reabertura da investigação

29.11.2010 às 20h40

Na apresentação do seu livro sobre o caso Camarate, Freitas do Amaral defendeu hoje a reabertura da investigação parlamentar sobre o acidente que matou Sá Carneiro.

Freitas do Amaral apelou aos partidos que "ultrapassem divergências" e reabram a investigação parlamentar ao caso Camarate através da criação de uma nona comissão de inquérito, alegando que há elementos ainda em aberto.

Na apresentação do seu livro "Camarate, um caso ainda em aberto", Bertrand, no CCB, Freitas do Amaral contou que quando esteve no Governo, entre 2005 e 2006, falou com o então colega Alberto Costa para que o assunto fosse reaberto.

"Ele concordou e conversou com representares do seu partido na comissão de Direitos, liberdades e Garantias e ao fim de alguns meses disse-me que não tinha sido possível encontrar nenhuma porque o PS e o PSD não tinham chegado a acordo", afirmou.

Ultrapassar divergências

Freitas acrescentou que "a versão do PS é de que tinha sido o PSD a opor-se" e a versão que chegou do então líder do PSD, "Marques Mendes, é que tinha sido o PS a opor-se".

"Acho que já é altura de, sobre um assunto tão sério como este, se poder ultrapassar essas divergências porque há assuntos sobre os quais é ridículo não haver consenso", frisou.

Para Freitas do Amaral, um dos elementos a investigar é "saber se houve probidade no gasto de dinheiros públicos por parte do Fundo de Defesa Militar do Ultramar".

"É para mim incompreensível que num país onde deixou de haver guerra do Ultramar, em 1974, e que deixou de ter Ultramar, em 1975, no final de 1980 ainda tivesse a funcionar e a movimentar milhões de contos por ano um Fundo de Defesa Militar do Ultramar", disse.

Elementos retirados do relatório

Por outro lado, está também "em aberto" a "descoordenação de políticas" de venda de armas e munições, sublinhou, reiterando que os elementos que referiu foram retirados do relatório da oitava comissão de inquérito.

"Bem pode suceder que as investigações do ministro da Defesa Amaro da Costa que versavam quer sobre o Fundo do Ultramar quer sobre a descoordenação dentro dos governos das políticas de venda de armas ao estrangeiro, bem pode ser que a causa, se causa houve, tenha vindo da questão da venda de armas e não dos dinheiros do fundo. Tudo está em aberto", defendeu.

A oitava comissão parlamentar de inquérito à queda do avião que há 30 anos matou o então primeiro ministro, Sá Carneiro, e o ministro da Defesa, Adelino Amaro da Costa, terminou os trabalhos em 2004 e recomendou ao Parlamento que retomasse as investigações na legislatura seguinte, o que não aconteceu, sublinhou Freitas do Amaral.

"O meu único apelo é este: que se sigam as recomendações da oitava comissão parlamentar de inquérito aprovadas em 2004 por unanimidade", disse.