Siga-nos

Perfil

Expresso

Capas

Para onde vai a América Latina

Com a morte de Hugo Chávez abre-se uma luta pela sucessão que não se restringe à Venezuela . Quem tem perfil para o substituir como referência maior da esquerda latino-americana? Evo Morales? Cristina Kirchner? Dilma Rousseff? As cartas estão na mesa e tudo está em aberto. Leia na edição de abril, hoje nas bancas.

Depois de anos de sucessivas experiências governativas à esquerda na América latina, a morte de Hugo Chávez  poderá alterar o xadrez político no continente.

No plano interno, o falecido Presidente venezuelano praticou um caudilhismo que não destoa da tradição do brasileiro Getúlio Vargas ou do argentino Juan Perón: controlo da comunicação social, adoção de medidas eleitoralistas de curto prazo, instrumentalização das aspirações dos mais pobres, etc. Mas, apesar de tudo, nunca se furtou ao jogo eleitoral: perdeu, pelo menos, um referendo e conformou-se com o respetivo resultado.

"Soft power" movido a petróleo

No plano externo desenhou-se uma estratégia chavista muito mais elaborada, muito menos agressiva e, porventura por isso mesmo, muito mais eficaz. A Venezuela conseguiu reintegrar Cuba na Organização dos Estados Americanos, donde fora afastada em 1962. Aliciou Argentina, Cuba, Nicarágua e outros para a Aliança Bolivariana para as Américas. Normalizou relações com a vizinha Colômbia e usou as suas reservas petrolíferas para seduzir países tão díspares como Cuba ou Nicarágua, tomando, ainda, a iniciativa de comprar dívida soberana argentina. Em suma, um "soft power" movido a petróleo e inquestionavelmente bem-sucedido.

Esquerda orfã

A morte de Chávez deixa órfã a esquerda latino-americana, não sendo certo que de Dilma a Cristina Kirchner, de Morales a Correa desponte uma figura tão carismática como a dele. De resto, não deixa de ser curioso que o contraponto Lula/Dilma versus Chávez constituísse uma simbiose perfeita, com o Brasil a aparecer aos olhos do mundo ocidental como a alternativa amável e civilizada aos excessos e à truculência chavistas. Um pouco a reedição da rábula do polícia bom e do polícia mau.