Exclusivo

Expresso 50 anos

Caramulo: sanatórios, arte, automóveis e uma família a lutar pelo futuro

João Lacerda, diretor do Museu do Caramulo
João Lacerda, diretor do Museu do Caramulo
TIAGO MIRANDA

A história faz-se por camadas, e no Caramulo isso é bem visível. A vila, a primeira do país a ter saneamento e eletricidade, ficou conhecida pelo sanatório que tratou a tuberculose a milhares de pessoas. Erradicada a doença, ficou a arte e os automóveis antigos. E a energia de continuar a fazer fora da caixa

Do alto da serra do Caramulo, Abel percebeu cedo que a cura para a doença que dizimara milhares de vidas ia chegar e arrasar o império de sanatórios que o pai, Jerónimo, erguera aos ares da montanha, a 800 metros de altitude. Apaixonado por arte, Abel cuidou de construir uma coleção e a casa para a receber – um dos primeiros edifícios criados de raiz em Portugal para um museu. O irmão, João, médico com a paixão pelas corridas de automóveis, começara uma imponente coleção de carros com um Ford T que encontrou na sucata. Os irmãos viravam o rumo, acentuando a vocação turística daquele território, esbatendo a conotação com a terrível doença e realçando-lhe a ligação à arte e aos automóveis.

Um século e um ano depois da abertura da estância sanatorial, este é um trabalho que prossegue com os descendentes a quererem criar um museu do brinquedo no antigo sanatório infantil e fazer nascer das ruínas do grande sanatório o museu da estância climática do Caramulo, como então se chamava. “Queremos transformar o Caramulo numa vila museu”, diz João Lacerda. João é neto do “avô João” – e consequentemente sobrinho-neto de Abel e bisneto de Jerónimo. Trá-los para o discurso com tal vivacidade que parece que ou eles ainda estão vivos, ou que o atual diretor do Museu do Caramulo, nascido em 1976, conviveu muito com todos eles. “É um legado. Nós somos cuidadores desta obra”, diz-nos.

Artigo Exclusivo para assinantes

Assine já por apenas 1,63€ por semana.

Já é Assinante?
Comprou o Expresso?Insira o código presente na Revista E para continuar a ler

Tem dúvidas, sugestões ou críticas? Envie-me um e-mail: malmeida@expresso.impresa.pt

Comentários

Assine e junte-se ao novo fórum de comentários

Conheça a opinião de outros assinantes do Expresso e as respostas dos nossos jornalistas. Exclusivo para assinantes

Já é Assinante?
Comprou o Expresso?Insira o código presente na Revista E para se juntar ao debate
+ Vistas