Expresso 50 anos

“Nem sempre foi fácil, mas valeu a pena!”: o discurso de Pinto Balsemão nos 50 anos do Expresso

7 janeiro 2023 18:10

tiago miranda

Fundador do semanário que completou meio século de existência, lembrou duas figuras importantes da vida nacional e da vida do Expresso: António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa, que encerraram a conferência de comemoração

7 janeiro 2023 18:10

Senhor Presidente da República

Senhor Secretário Geral da Organização das Nações Unidas

Minhas Senhoras e meus Senhores

Começo por agradecer a vossa participação nesta celebração dos 50 anos do Expresso, aqui, nas magníficas instalações da Fundação Champalimaud, representada ao mais alto nível pela sua presidente Leonor Beleza.

Agradecer, em especial, aos que tornaram esta jornada possível:

— Os oradores, jornalistas, colaboradores, técnicos, músicos, a incansável equipa do Marketing da Impresa

— Os nossos convidados que, ao longo do dia, encheram este anfiteatro

E também, claro, agradecer a todos os que, em Portugal e no estrangeiro, têm acompanhado esta nossa festa – uma festa que também é deles – através do site e das redes sociais do Expresso e da cobertura da SIC Notícias.

Minhas Senhoras e meus Senhores,

ESTAMOS HOJE AQUI para lembrar, celebrar, dignificar o passado, as origens do Expresso e os seus frutos.

Estamos aqui hoje, também, para explicar como tentamos viver e protagonizar o presente, procurando manter a liderança e a credibilidade. Procurando ser referência e porto de abrigo, no mar tumultuoso onde sempre navegámos.

Mas não devemos, nem queremos, gastar demasiado tempo com o passado ou mesmo com o presente. O tempo é um bem escasso, que se consome com rapidez preocupante.

Mais importante é começarmos já a construir o futuro que nos espera, ou melhor, que queremos que nos espere.

Numa versão mais negativa, esse futuro está carregado de pessimismo. Volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade – são quatro palavras frequentemente utilizadas para o definir.

Daí se parte facilmente para a Inteligência Artificial, para o domínio dos robots, para os humanos apáticos, instalados nos repetitivos metaversos.

Será que o robot roubou? Será que a máquina rouba ou roubará o lugar dos homens?

Eu não acredito – nem quero – que a mente humana racional e sentimental vá cedendo à Inteligência Artificial o lugar de principal descobridor e catalisador dos fenómenos do mundo. Como já alguém escreveu, “o mundo digital tem pouca paciência para a sabedoria”. Acrescentaria que o mundo digital tem pouca capacidade para a sensibilidade, para os sentimentos, para amar, rir, chorar, sofrer, exaltar-se, confraternizar, para mergulhar num quadro de Leonardo, Monet ou Picasso, para deixar-se envolver na escuta de Wagner, Mozart ou Vangelis.

Em todo este processo de aceleração digital, os chamados meios de comunicação social clássicos têm um relevante papel a desempenhar, cumprindo as regras deontológicas, atribuindo espaço e tempo às notícias relevantes, na cultura, na política, na economia, na ciência, divulgando opiniões acerca delas. E também denunciando a desinformação que campeia infrene, nomeadamente, através de pessoas que pensam todas da mesma maneira e não admitem outras opiniões, seja sobre a guerra na Ucrânia, uma obra de arte, a sustentabilidade ou um clube de futebol. Por vezes, parece que quanto mais podemos comunicar, mais mentimos e menos nos entendemos.

AO LONGO DE 50 ANOS, o Expresso tem procurado cumprir o seu papel como meio de comunicação social, nas edições em papel e, mais recentemente, recorrendo também à via digital, através de sites, newsletters e podcasts.

Nem sempre foi fácil, mas valeu a pena!

E é para dizer que valeu a pena, para agradecer a todos os que tornaram este projeto viável e vencedor e — como ficou bem claro na intervenção do nosso CEO, Francisco Pedro Pinto Balsemão — para reiterar que vamos prosseguir pelo mesmo caminho, que aqui estamos hoje.

Para encerrar esta reunião, ninguém melhor do que António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa. Ambos desempenham, hoje, cargos de elevada responsabilidade, aos quais ascenderam por mérito próprio.

Mas, recuando 50 anos, os dois têm uma outra característica comum: tal como eu, ambos foram acionistas fundadores do Expresso, continuando António Guterres a ser acionista da Impreger, a sociedade acionista maioritária da Impresa!

Minhas Senhoras e meus Senhores

Muito obrigado pela vossa presença e pelo vosso apoio!

Comigo e com os que me sucederem e que já estão aqui presentes e empenhados, o Expresso continuará, nas próximas décadas, a cumprir a sua missão!